quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Aforismo LXX

Talvez a pior consequência para a pessoa que fala de mais, é que ela acaba não sendo escutada.

Teocracia

Um Estado que tem como regime de governo uma Teocracia, e como se não bastasse, uma Teocracia fundamentalistada no Velho Testamento, não poderia ser outra coisa que não o desastre moral que é Israel.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Os astrólogos e o BC

Toda vez que há uma reunião do Copom (comitê de política monetária), muitos articulistas e economistas danam a explicar, em todas as variáveis possíveis, os equívocos das decisões da equipe econômica.
Criticam os juros inventados, argumentando de maneira muito embasada, tecnicamente clara, apontando números, citando tudo o que poderia ser citado para criticar as decisões do banco Central (BC).
No início eu lia com grande interesse, absorvendo, adsorvendo, tudo que podia destes articulistas. Porém, com o passar do tempo, as coisas foram ficando menos difusas.
Hoje, já me é claro, que não adianta absolutamente nenhuma análise, nenhum debate técnico, nenhuma confrontação com as decisões do BC. Porque lá não há economistas, há astrólogos.
Com todo o respeito aos astrólogos.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Acasos da vida

E estava eu na rodoviária do Rio de Janeiro, um homem deixa inadvertidamente sua mala abrir, caem várias coisas. Uma mulher que passava perto se agacha para ajudá-lo, e a primeira coisa que ela pega para devolver a mala é a sua carteira.
Num átimo me vem o pensamento: “nossa, que coincidência”.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Toda forma de poder

Na medida em que se acumula poder, seus inimigos também crescem de força – seja porque também se esforçam para robustecer e superá-lo, por causa da concorrência, quanto porque quando não conseguem, se aliam a outras forças menores – de modo a neutralizar a disparidade.Donde se conclui que a luta pelo poder é, de fato, inglória - posto que infinita e para sempre se chegar ao mesmo lugar – uma aproximada equidade.

Inocência inútil

O grande equívoco dos keynesianos-desenvolvimentistas é supor que sua ideologia se contraponha ao neoliberalismo – quando na verdade se contrapõe tão somente ao socialismo.
Só num mundo onde existe o socialismo como concorrência factível é que os capitalistas podem ceder os aneis para não perderem os dedos – conforme o belo exemplo dos países nórdicos.

Quando não tem concorrência, o capitalismo não existe de outra maneira que a neoliberal, que o anarcocapitalismo, enfim, que a desgraça em estado puro.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Olhando da popa e pensando

Quando algum dia, uma pessoa no futuro avaliar nossa porca miséria – 1 bilhão de pessoas, segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação) passam fome no mundo, pensará algo.
Pensará algo, porque observará que nosso planeta desperdiça uma quantidade enorme de alimentos (suficiente para alimentar os famintos e ainda sobrar comida). Pensará algo, pois o nosso planeta, nesta época em que vivemos já é pequeno perto das fronteiras exploradas do universo, tanto pelo homem, quanto por equipamentos por ele criados; observará que uma sociedade que achou petróleo há milhares de metros abaixo do solo e do mar, que consegue construir edifícios babélicos, que consegue produzir espetáculos majestosos como a abertura das olimpíadas, que consegue fazer com que a terra se torne pequena com a internet e sistemas avançados de comunicações, que consegue criar aceleradores de partículas, filmes inimagináveis, raio laser, teoria da relatividade, das supercordas e quântica, medir os ecos do próprio big bang, conseguindo descobrir com 1 por cento de taxa de erro que o universo possui 13,7 bilhões de anos de idade, que consegue calcular a forma como os continentes se separaram, que constrói submarinos, ferraris e hayabusas, aviões “pássaros negros” (blackbirds) e naves espaciais, que vê o seu potencial criativo, científico e tecnológico em níveis esplendorosos, pois bem...
Esta pessoa conseguirá avaliar que, a despeito de tudo que conseguimos construir, não conseguimos dispor para 1 bilhão de pessoas – friso, não são dez, não são cem, não são mil, são 1 bilhão de pessoas – aquilo que há de mais básico, mais elementar, aquilo que um próprio homem da caverna sabia que tinha de conseguir: alimento.
Não conseguimos, depois de tudo que conquistamos, atender aquilo que desde sempre deveria ter sido prioridade.
¿Como justificar, que, com tanta evolução, não conseguimos encontrar a sociabilidade de uma formiga? Um ser tão simples, mas tão simples, que sequer sistema respiratório possui (o ar passa pela formiga e as células absorvem diretamente o ar). ¿Como esta pessoa nos avaliará, observando que estamos aquém da evolução societária de uma simples formiga?
Esta pessoa pensará algo sobre nós.

Quando algum dia, uma pessoa no futuro avaliar nossa frivolidade, observará um mundo com tanta informação e tão pouco conhecimento; capaz de criar terabytes e terabytes de informação por dia, um mundo onde basicamente todo mundo conhece tudo e não sabe de nada. Ela avaliará que só num mundo como o nosso poderia existir um twitter, o resumo da futilidade de uma era.
Esta pessoa pensará algo sobre nós.

Quando algum dia, uma pessoa no futuro observar que sobre os humildes mortais recaía uma carga pesada de impostos, enquanto as movimentações financeiras dos especuladores nababos – movimentações financeiras que levam países e empresas à bancarrota da noite para o dia – não pagavam impostos, ela pensará algo. Refletirá mais quando souber da desigualdade social escabrosa que imperou no mundo.
Esta pessoa pensará algo sobre nós.

Quando algum dia, uma pessoa no futuro avaliar que os gastos humanitários para ajudar os países humildes, de 1950 à 2009 somaram 2 trilhões de dólares. E, observar que num único ano, para ajudar especuladores e bancos, os governantes desperdiçaram 50 trilhões de dólares, ela concluirá algo. 50 trilhões de dólares em um ano.
Ou seja, o investimento para os mais carentes, mais humildes, pessoas que tiveram seus sonhos cerceados, muitos decorrentes da forma como os países ricos impuseram suas colonizações: extraviando nossos recursos naturais (petróleo, ouro, prata, etc.), implementando uma sociedade fundamentada como um castelo de areia, criando países desenhando num mapa sobre uma mesa, unindo dentro de um mesmo território clãs e tribos rivais, e dividindo clãs e tribos aliadas; patrocinando golpes militares que só fizeram concentrar renda, etc. Para depois de tudo isto investir em cerca de 60 anos, 2 trilhões de dólares para amenizar o desastre que eles mesmos criaram. Isto com a justificativa espúria de que não poderiam investir mais devido a corrupção (como se não pudessem doar o dinheiro condicionando-o a auditorias – que poderiam ser feitas por empresas do país doador, por exemplo).
Já para especuladores, pessoas que não ajudam nada, não contribuem com nada, nunca produziram um parafuso sequer, ervas daninhas que só sabem sugar da sociedade, para estes seres infectos, escória da humanidade, num ato de corrupção explícita, doam 50 trilhões de dólares em um ano.
Esta pessoa observará que o dinheiro não foi para matar a fome de ninguém, não foi para construir nenhuma estrada, ferrovia ou casa, não foi para levar água a quem precisa, não foi para nada que preste: foi só para impedir que a riqueza dos plutocratas não diminuísse muito. Só para isto.
Esta pessoa pensará algo sobre nós.

Quando algum dia, uma pessoa no futuro observar que ao invés de se preparar para se tornarem grandes cidadãos, para melhorar o mundo, a elite da nossa juventude está sendo desperdiçada, focada numa prova ignara que não lhes ajudará em nada mais na vida, este deserto inglório que é o vestibular, ela conseguirá – diferentemente da prova aplicada – nos avaliar.
E esta pessoa pensará algo sobre nós.


No dia de hoje, nós conseguimos observar o que ocorreu, as grandes vitórias históricas da humanidade – Stalingrado e a derrota de Hitler, as lutas pelas independências nacionais, a revolução soviética e cubana. E as derrotas históricas, também – a escravidão, os feudos, a colonização, o neoliberalismo, as ditaduras, a idade média como um todo, etc.
Porém, ao conseguirmos avaliar os erros alheios, tínhamos a responsabilidade de não incorrermos em falhas similares.
Até hoje, a despeito de toda nossa evolução, não conseguimos.

Pensar que estava tudo na nossa mão, que bastava quem de direito tomar posicionamentos corretos (¡bastava querer!), é realmente decepcionante.


Tenho aqui comigo os documentos da suspensão que tomei de 7 dias no serviço justamente por tentar, dentro das minhas limitações, melhorar o mundo em que vivo.


Esta pessoa olhando da popa, poderia ser a minha sobrinha e afilhada, Lara.
Se for ela, e o mundo em que ela estiver for melhor, vou mostrar este documento, e dizer que ela colhe a luta que eu e outros bravos e íntegros travaram – e que ela deve honrar esta luta.
Por outro lado, se o mundo continuar esta merda que está, eu também vou mostrar o documento a ela – e direi que eu não me eximi, que eu não me acovardei, que a despeito de todas as dificuldades enfrentadas, eu não escolhi o caminho mais fácil – e sim o que acredito correto.
Poderei até ser derrotado pela história, mas direi a ela que eu fiz o que pude – e quando me despedir do mundo dos homens, descansarei com a impressão de que cumpri meu papel, acreditando ter feito o suficiente para dormir através da eternidade o sono dos justos.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Era tão menina

Eis que me deparo com algumas fotos da atriz Soleil Moon Frye, que fez a serie "Punky, a levada da breca".
Bem, o espanto que tive talvez seja o mesmo que vocês terão. Abaixo a menininha que costumávamos assistir:




E agora o que ela se tornou:







Logo me veio a mente certa música do Lobão.
O título: "Era tão menina".

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Hipnose ofídica

Lembro-me de uma canção do Dado Villa Lobos, algo como “o que era Dostoievski virou... Sharapova”.
Paciência com a perda intelectual da comparação, há outros ganhos, também.
Oscar Wilde nos defende:

“Mas a beleza, a verdadeira beleza, acaba onde começa a expressão intelectual. O intelecto é em si uma forma de exagero e destrói a harmonia de qualquer rosto. Assim que nos sentamos a pensar, ficamos todos nariz, todos testa, ou outra coisa horrenda. Veja esses homens que triunfam em qualquer profissão intelectual. São completamente hediondos!”

A despeito da licenciosidade moral de Wilde, há de se ceder aos fatos, se Dostoievski:


E, por outro lado, Sharapova:


As cobras não têm pálpebras móveis, diferentemente dos animais que rotineiramente observamos:

Ou seja, mesmo que quisessem, não poderiam fechar os olhos. Isto faz com que sua visão seja extremamente constante, fixa, já que não piscam. Alguns animais, como as rãs, permanecem estáticos de quando da aproximação destas criaturas deveras excêntricas que são as serpentes. As rãs permanecem paradinhas porque supõem que assim não serão vistas. Não por causa de hipnose ou algo que o valha.

Porém, segundo a crença popular, os pássaros são atraídos de uma maneira irresistível, ficam paralisados ante o olhar da cobra. E irremediavelmente são devorados.
Vou assistir a um jogo de tênis e eis que lá está a diva Sharapova, cada rebatida é um grito, cada grito é uma delícia de se ouvir.
Prossigo assistindo o jogo, eu que nem me ligo muito para tênis. E para o seu olhar ofídico, só posso dizer que sou o pássaro hipnotizado.
Donde se conclui que a hipnose para caça, às vezes intencional, às vezes não, só nas Sharapovas da vida.

Mais uma da serie constatações

Para a direita como um todo, e para imprensa gorda brasileira em particular, nada melhor para encobrir uma mentira sua do que contar outra mentira por cima.
E assim indefinidamente.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Da serie constatações

Pode-se nomeá-lo Criador, Jeová, Pai Celestial, Natureza, Universo, Prazer, Acaso, Si mesmo, etc.
Fato é que todo mundo tem um Deus.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Narcisos obstados

Diferentemente de outras progenitoras, a mãe-natureza não tem nada de tola.
Se naturalmente não podemos ver nossa face, é porque esta sabia do grande risco de afogamento - em vários sentidos - das multidões de Narcisos.

Aforismo LXIII

Todo mundo tem tempo... para o que prioriza.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Miopia progressiva

O Brasil e o Equador são os únicos países da América do Sul em que ainda existe o alistamento militar obrigatório. Poderíamos gerar um interessante debate sobre o alistamento, e eu, de antemão, até sou favorável, desde que tivesse intenções absolutamente inversas às que possui hoje. Que os jovens fossem construir estradas, obrar, ir combater o desmatamento da Amazônia, enfim, qualquer tipo de ação que ajudasse na construção do ser humano e na evolução da sociedade, e não num lugar onde os animais podem dar vazão aos seus instintos mais sujos, onde a “hierarquia” subjuga qualquer tipo de noção de justiça, coerência e respeito, como ocorre nas forças armadas.

Como nem tudo na vida são flores, mas também não são só espinhos, de alguma coisa me serviu o alistamento.
É um caso até engraçado, já o contei a algumas pessoas. Durante a execução do alistamento, tínhamos que olhar para umas letras com um olho só. Beleza, antes de eu fechar um olho, estava vendo tranquilo. Quando tapei um dos olhos, não enxerguei mais nada. Foi um espanto para mim, eu não conseguia ver as letras que até então estavam claras. Até então eu não sabia da minha deficiência visual. O gendarme que me examinava, com uma paciência digna de Jó, e um tom de voz tão cálido e sedoso quanto uma mulher que se esguela com o marido pego no flagra, berrou:
- ¿Que letra é esta?
Eu não estava enxergando nada, só me concentrava mais, tentando compreender.
O cara berrou com mais intensidade:
- ¿Que letra é esta?
E eu, espantadíssimo, fazendo o possível pra ler, mas não conseguia. E o cara, tentando ser ouvido a quilômetros de distância:
- ¿Que letra é esta?
E eu:
- Letra D.
Sei lá que diabo de letra que era, ele estava pressionando demais, comecei a chutar. Ele:
- ¿Que letra é esta?
- S.
- ¿E esta? – sempre naquele tom carinhoso.
- M.
Ele falou pra eu tapar o outro olho. Enfim, quando mudei a vista, percebi que não tinha passado nem perto, havia errado clamorosamente todas as letras até então.
Pois bem, o alistamento como um todo foi uma experiência completamente desnecessária, excetuando por este achado.

E, depois, refletindo sobre o assunto, inferi (não careceu grande inteligência para fazê-lo) que o fato da perda da visão ocorrer de maneira progressiva, lenta, faz com que não nos apercebamos do processo de mudança. É como quando chegamos em um lugar novo, conseguimos visualizar de uma maneira muito mais fácil os equívocos ali contidos, diferente de quando já estamos acostumados, e meio que nos viciamos dos erros adquiridos ao longo do tempo.

Pois bem, escrevo este texto justamente por ter visto pessoas de quem gosto começarem um processo de “miopia progressiva” com a alma.

É uma pena, quando menos pensarem, já terão perdido completamente sua identidade, sua credibilidade, e deixarão de serem homens.
Quem os conhecer depois, já vai perceber de imediato todo o erro contido em suas atitudes, já vai chegar vendo a merda que lhe está defronte.
E quem já os conhecia como eu, não verá uma mudança drástica em suas atitudes, nada significativo do dia para a noite.
Porém, querendo ou não, sempre acontecerá um caso como o do alistamento, em que somos forçados a ver de uma maneira que comumente não enxergamos, um “divisor de águas”.
Quando este dia chegar, e ele vai chegar, os amigos ao redor se aperceberão do quanto estas pessoas mudaram. Passarão até a questionar se algum dia elas realmente foram dignas e coerentes do sentimento que nutrimos.

É um aviso.
E é uma lástima.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Aforismo derradeiro

E foi a última frase da maior carta que eu escrevi na minha vida:
“Prefiro enfrentar o mundo a enfrentar minha consciência”.

Quase um Nostradamus

E numa animada mesa, Roberta fala que Patrícia tem uma novidade para contar.
Respondo que novidade de mulher só pode ser gravidez ou casamento.

Esperávamos Patrícia contar. Como ela não apareceu (pra variar), Roberta nos informa.
Fico sabendo, então, que Patrícia está grávida.

Aforismo LX

Para o cara assumir que é gay, ele tem que ser muito macho.

Proventos e securas

Nas falas e nos escritos não prometo salvação de nenhuma ordem.
Por outro lado, também não cobro dízimo de nenhuma espécie.

Os jogos e a covardia

Jogar na mega-sena denota uma espécie de covardia para com o futuro que construímos para nossas vidas.

P.S: É claro que eu não perco um jogo vultuoso.

Aforismo LIX

Assim como pai é quem cria, irmão é quem cresce contigo.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Da série constatações

Sinceramente, creio que não passa nem um dia sem que haja um exorcismo numa das - muitas - igrejas do meu bairro.

Aforismo LVIII

Se a expressão "nunca mais" é bem triste, a expressão "para sempre" é pior ainda.

Aforismo LVII

A justiça já falha ao tardar.

Aforismo LVI

Numa situação extrema, não dizer nenhuma bobagem já é um grande avanço.

Aforismo LV

Quem se sente usado na verdade também está usando.

Aforismo LIV

Nada é monótono por si só, tudo depende do tédio contido em si mesmo; assim como não existe algo legal por si só, tudo depende da alegria contida em ti.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Racismo ao avesso

No ônibus para a rodoviária, já sem tempo para maiores obstruções, percebo que me falta a identidade.
Procuro-a insistentemente no caminho, mas não encontro. Não dá nem pra cogitar voltar em casa para buscá-la.

Chego para pegar o ônibus, crucial para que eu pudesse trabalhar no outro dia, já que era o último (23:29h) e apresento os outros documentos com foto que possuo ao motorista: crachá da empresa, do sindicato, do plano de saúde.
Ele reluta, mas acaba me deixando ingressar no ônibus.

No meio da viagem, tive a sincera impressão que se eu fosse negro e tivesse uma cara mais enfezada, eu não teria conseguido êxito.
Arrebatou-me uma vontade sincera que, se isto fosse realmente verdade, eu também tivesse sido barrado, não obstante as deletérias consequências profissionais.

Uma dúvida e uma certeza

Das muitas dúvidas que me assolam, vem uma certeza: voltaremos para de onde viemos.
Mas ainda resta saber de onde a gente veio e para onde a gente vai.

Uma verdade individual

Eu não gostaria de me ter como inimigo.

Do que não compreendo

Uma das coisas que mais me assolam em diálogos alheios é a empáfia com que muitas pessoas jactam-se de terem agido asperamente com outras, como se isto fosse sinal de firmeza, ou valentia, não sei dizer.
É comum, é constante, parece trivial.
A priori, poder-se-ia até pensar que somente os homens, na sua eterna necessidade de demonstrarem que são muito machos o fizessem. Mas não, muitas das “delicadas” mulheres também vêm se embrenhando nestes confins malditos.

Para mim, responder agressivamente aos outros é sinal claro de arrogância e imbecilidade.
Gabar-se disto, então, é um equívoco tal que sequer consigo selecionar epíteto para classificá-lo.

Da série “dúvidas que não querem calar”

¿Não seria o livro “A Sombra do Vento” a versão espanhola de “O Nome da Rosa”?

Terceiro lar

O primeiro lar é a nossa casa, seja ela onde for, item consensual.
O segundo lar é o nosso trabalho, ao menos é o que dizem.
Nesta linha de raciocínio, posso afirmar tranquilamente que meu terceiro lar é a BR-101, a infinita highway brasileira.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

A Terra do Inexplicável

Eis que estou na Bahia, e vou ouvindo lentamente àquilo que parece ser um carro de som se aproximando. Quando passa por mim, qual não é o meu espanto ao saber que o carro na verdade era uma moto, e pior, ¡uma diminuta scooter!
Pouco tempo depois, vejo um motoboy brincando de dar cavalo de pau na areia. Com resultados previsíveis.

Não pude deixar de recordar uma constatação feita em outros tempos, quando trabalhava neste mesmo estado, e vi em muitas oportunidades, fazer um sol intenso e cair uma chuva pesada. Isto várias vezes. No mesmo dia.

A constatação: a Bahia é a Terra do Inexplicável.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Da série constatações

Pode ser considerado um mantra, um estilo, uma verdade universal, um resumo da minha vida, alguma coisa desta estirpe, o adágio que segue:
“Eu não vim ao mundo para mentir”.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Aforismo LII

A China de hoje está naquele estado da revolução dos bichos onde não há mais diferença entre porcos e homens.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Da série dúvidas

Um dia, quando já estávamos na beira do abismo, com disposição de seguir em frente, depois de muitas sombras e tormentos, ela falou:
- Você gosta de mim, mas também me odeia.
Eu neguei, é claro.
Depois, vi que ela tinha razão no que dissera.
E eu me pergunto: ¿Sempre tem que terminar assim?

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Algo em comum

É engraçado que atravessamos anos... querendo ser algo que ainda não somos.
E desta fase, passamos direto para aquele estado em que já não somos o que já fomos.
Há algo em comum em todo o tempo.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Uma pena

Foi-se acabando ao longo dos anos, os axiomas escritos nas traseiras dos caminhões. O que eu acho efetivamente uma pena.
... E no ônibus da viagem de retorno da labuta, passo por um raro caminhão que ainda ostenta um adágio:
- Não há vitória sem luta.

Eu fico pensando que para mim isto faz sentido, mas é uma pena que para alguns não faça; e calha que a covardia/alienação/omissão de outrem, implica na minha derrota.

E reflito mais detidamente na ausência das frases, na alienação, na pusilanimidade, e vou me dando conta de que quase tudo na vida é uma pena.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

São Miguel e a reintegração de posse

A reintegração de posse executada em fazendas improdutivas assemelha-se ao trabalho celeste de São Miguel, expulsando o arcanjo Lúcifer dos domínios do céu.
Assemelha-se pelo sentido arrevesado que ostenta.

Aforismo LI

Minha vida seria infinitamente mais fácil se eu fosse menos íntegro do que sou.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

terça-feira, 12 de maio de 2009

A morte e a catarse, mais uma dúvida

¿Por que as pessoas morrem?, perguntou alguém.
Ora, se no momento que seria o mais evoluído da humanidade, 1/4 do mundo passa fome, afora os que estão na miséria, afora a destruição intensa da natureza, afora tanta coisa, morrermos é quase uma catarse do planeta.

Ah, mas não necessariamente quem morre é culpado destas coisas, ¿não?
Não, ninguém é responsável por nada, eu já disse.
E, mesmo se fosse, é infinita a capacidade de arranjar justificativas para os próprios erros (a primeira de todas, é claro, é culpabilizar outrém).

Bem, o infinito compreende o ilimitável, é evidente, portanto, julgo não poder haver diferenciação de tudo que é infinito.
Pois bem, se houvesse, gostaria de saber o que é maior, sabendo que as duas coisas são infinitas:
a capacidade de arranjar justificativas ou a capacidade de se preocupar com aspectos íntimos da vida alheia.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Uma possibilidade

¿Imagine-se se Ernesto "Che" Guevara não tivesse asma?

Talvez a história de pobreza, humilhação e miséria da América Latina fosse bem outra.
Imagino-o como um "Alexandre, o Grande" sem a boiolagem.

Ou melhor, um Símon Bolívar moderno, em sua encarniçada luta contra a mesma serpente maldita.

Não posso não conceber, que de qualquer modo, ele morreria lutando.
Bravo e íntegro, como lhe competia.

Terra do Incrível

É realmente incrível que com a máfia (siciliana, camorra, o diabo que seja), a corrupção e a igreja católica, a Itália tenha conseguido se tornar um país desenvolvido.

E é ainda mais incrível que, tendo tal desenvolvimento, consiga a proeza de se enxovalhar perante o mundo e a si mesmo elegendo três vezes Silvio Burlesconi ao poder.

Vá lá entender a terra dos meus ancestrais.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Aforismo L

Sócrates legou Platão...
Platão legou Aristóteles...
Pergunta que não quer calar:
¿Aristóteles não deveria ter legado alguém?

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Os Papéis

São poucas as oportunidades
Que um homem tem na vida
De mostrar a que veio
De lutar pelo que acredita

Páginas foram viradas
Mas não apagaram a história
Dos muitos que lutaram
Para tentar nos livrar da escória

E lutaram e morreram
E sangraram e pereceram
E suaram e sofreram
E choraram e perderam
E gritaram e venceram

Antes de tudo
Sabiam o que lhes cabia
Não se omitiam das responsabilidades
Quando não se lutava, é que se morria

¿E quando se está no meio da guerra
Com soldados que não querem lutar?
¿Como fazê-los ver que sua covardia
Ainda haverá de nos mutilar?

A omissão do dia-a-dia
Sobre o bem se informar
Obstará a alquimia
De se unir, organizar

Se em alguns sobra covardia
Como se só eles sentissem medo
A outros resta galhardia
E resguardam os temores em segredo

Defronte a truculência e o autoritarismo
Resplandece forte a verdade:
Uma pessoa só luta por uma causa
Porque sabe que tem responsabilidades

Com seu país, sua gente, sua classe
E não com o chefe, com desculpas, com o capital
Sabe que a pior desgraça do mundo
É a luta insana pelo individual

E no meio do conflito
Vem o abandono e a traição
Mas também vem um forte companheirismo
E a satisfação da verdadeira união

Depuram-se os guerreiros
Os covardes vão para o seu lugar
Não se quer criar mártires
Mas homens que sabem o papel
Que na vida tem de desempenhar

Ante o deserto da covardia
E o lixo da truculência
Os bravos não estão dispostos
A pedir clemência

Que todos escutem
O que temos a falar
Aqui há homens
Que não vão se acovardar


Dedicado a todos os que cumprem e cumpriram com seus papeis, especialmente a Francisco Tojeiro, Vitor Pádua, Marcelo Bié e Élson Rattes.

P.S: Parte da letra foi censurada. Não por medo, mas só pra não queimar cartuchos em vão. Devo frisar, porém, que esta parte pode não estar postada aqui, mas existe.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

O dia em que a terra prosseguiu

Recentemente assisti o filme “O dia em que a terra parou”, uma espécie de cópia ideológica do filme “Fim dos tempos”. E, duas frases me marcaram, que gostaria de dividir aqui com vocês.
Keanu Reeves é um extra-terrestre que desembarca nos EUA (obviamente só podia ser lá, tudo nos filmes de Hollywood acontece em Manhatan).
Claro que ao chegar, o ET foi atacado pelos cândidos estadunidenses, a despeito de não ter tido nenhuma ação agressiva. Seriam os “ataques preventivos”, como os monstros ideólogos da guerra costumam alcunhá-los.

Pois bem, depois do ataque, quando Keanu começa a conversar com as pessoas, uma mulher pergunta (mais ou menos com estas palavras):
- ¿O que você veio fazer aqui?
- Vim salvar o planeta.
E, mais adiante, esta mulher fala sobre o nosso planeta, no que ele interrompe:
- ¿Nosso? ¿Quem disse que o planeta é de vocês (seres humanos)?

Corta, esta é a bela frase do filme.

Mais adiante, ele diz que deseja falar com os representantes do mundo que estão reunidos num congresso da ONU. Como é impedido de ir, insiste que necessita falar com os representantes do mundo, no que esta mesma mulher responde:
- Sou a secretária de defesa e represento o presidente dos Estados Unidos da América.

E, ouvindo aquilo, percebi que a missão Barack Obama é mais ampla e profunda do que parece. Enfrentar tanta arrogância – e arrogância sempre leva ao cadafalso, mais cedo ou mais tarde – é uma tarefa inglória e, eu diria, quase inextrincável.
George War Bush não é um ponto fora da curva, é um produto criado por este tipo de ótica, que permeia enormemente tal país.

Por alguma clarividência de quem fez o filme, o ET não julga que falar com o representante dos EUA signifique falar com o mundo.

Palmas ao ET.
Pela nossa imprensa gorda, pelos partidos políticos da direita (PSDB e Demos), por exemplo, bastaria.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Aforismo XLVI

Quando Nicolau Maquiavel afirmou em sua obra que era preferível aos governantes serem temidos que amados, o autor, talvez sem saber, esbarrou num dos principais paradigmas religiosos.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Sobre o aliado bomba e a ignorância

1 - Imagine-se que o Brasil tornasse a ser colônia de Portugal.

2 – Em outra ponta, muitos crimes são cometidos dentro do território espanhol e em países próximos contra argentinos. Argentina, como a conhecemos, não existia. Os argentinos não tinham país há muitos e muitos séculos, tendo sido reduzidos a um povo sem pátria, vivendo em muitas nações, sofrendo preconceitos e toda sorte de maldades em vários deles.

3 – Depois de muito sofrimento, os argentinos são libertados de sua dor. Porém, ninguém os quer. Por isto, a Inglaterra, os EUA e a ONU os mandam para o Brasil. O Brasil deixa de ser colônia, mas vê amputado seu território, pois, segundo argumento alegado, mais de mil e quinhentos anos atrás (quando sequer havia países como conhecemos hoje), os argentinos viveram aqui, em nossa terra.

4 - Por que não criar um território lá, onde os argentinos viviam, por que aqui?

5 – Não aceitando o fato, os brasileiros, apoiados pelos vizinhos sul-americanos, decidem lutar contra a Argentina que foi criada sobre o Brasil. Porém, os EUA apóiam militarmente a Argentina e, ela não só vence, como toma parte dos territórios da Bolívia, do Peru, e toma a maior parte do Brasil. Nossa pátria fica reduzida aos estados de Rondônia e Sergipe. Como sabemos, Rondônia e Sergipe sequer têm fronteiras entre si. Ou seja, as partes restantes do nosso país ainda ficam separadas. A Argentina no meio, tendo conquistado militarmente um território muito maior do que fora “benevolamente” “doado” pela ONU.

5 – Como não poderia deixar de ser, grande parte da população brasileira ficou no que passou a ser a Argentina. Nestes lugares, numa terra que é sua, onde propriamente nasceram, os brasileiros passam a sofrer todo o tipo de humilhações: são tratados como sub-raça, têm os piores empregos, são maltratados pelo exército argentino, não tem um país que possam chamar de seu, etc., e são abandonados pela comunidade internacional, mais preocupada com os “inquestionáveis” interesses argentinos.

6 – Como era de se esperar, alguns bravos brasileiros insurgem-se contra estas iniquidades. Passam a lutar, com as armas que possuem contra a Argentina, para defender o Brasil.

Pergunto:
¿Os combatentes brasileiros poderiam ser chamados de terroristas?
¿Eles não seriam frutos das circunstâncias a que estão sendo submetidos?
¿Um patriota agiria diferente disto?

Concatenando à nossa triste realidade: ¿como, ter integridade e não tomar partido a favor da Palestina?
Cito Saramago: “Israel quer que nos sintamos culpados, todos nós, directa ou indirectamente, dos horrores do Holocausto, Israel quer que renunciemos ao mais elementar juízo crítico e nos transformemos em dócil eco da sua vontade, Israel quer que reconheçamos de jure o que para eles é já um exercício de facto: a impunidade absoluta. Do ponto de vista dos judeus, Israel não poderá nunca ser submetido a julgamento, uma vez que foi torturado, gaseado e queimado em Auschwitz. Pergunto-me se esses judeus que morreram nos campos de concentração nazis, esses que foram trucidados nos pogromes, esses que apodreceram nos guetos, pergunto-me se essa imensa multidão de infelizes não sentiria vergonha pelos actos infames que os seus descendentes vêm cometendo. Pergunto-me se o facto de terem sofrido tanto não seria a melhor causa para não fazerem sofrer os outros.(...) Ah, sim, as horrendas matanças de civis causadas pelos terroristas suicidas… Horrendas, sim, sem dúvida, condenáveis, sim, sem dúvida, mas Israel ainda terá muito que aprender se não é capaz de compreender as razões que podem levar um ser humano a transformar-se numa bomba”.

Desde Harry Truman, este câncer que assolou os EUA, este país alterou lobregamente sua política externa (com uma leve amenização no governo Carter), passando a não só a avalizar, como apoiar militarmente Israel em tudo o que este país intencionasse fazer, independente da causa e dos motivos.

Carece perguntar, singelamente, se realmente vale a pena ter um país, qualquer país, como aliado, se sabemos que ele destrói todos os princípios que nós dizemos (ou pretendemos) observar.
Os nossos próprios princípios se escoam quando nos omitimos perante tais atitudes, quando avalizamos tais atitudes, que dirá de quando apoiamos maciçamente tais atitudes... E, isto tudo, pelo singelo preço de... termos um aliado.
¿Vale a pena?
É uma pergunta, relevante pergunta, em qualquer tipo de aliança que se faça em política (perdoem-me, escuso-me aqui de tratar do PMDB).


Voltando a pergunta 4: por que não criar um território lá, onde os israelenses viviam, por que em cima da Palestina?
Porque, justificam eles, este é o território sagrado, dos israelitas, deste povo, “escolhido de Deus”, segundo diversas passagens da bíblia.
Muito me espanta que todo um povo possa sentir-se melhor do que outro, argumentando que Deus o prefere, o escolheu, sabe-se lá por quais razões.
Eu, cá com minha ignorância religiosa, a despeito da Bíblia dizer o oposto, sempre julguei que o Pai Celestial tivesse mais apreço pela humanidade como um todo, e não especificamente por alguns terem, pelo acaso do destino, nascido em determinado lugar. Pode-se ter, dependendo do tipo de crença, a convicção de que Deus nos escolheu especificamente para certo lugar. Tudo bem, pode ser uma opinião válida, vai saber. Porém, tanto se nascemos onde nascemos pelos desígnios insondáveis do destino, quanto pelo desejo específico de Deus, em qualquer uma das formas, não tivemos controle nenhum sobre tal feito, donde, ¿como poderíamos ser culpados, ou abençoados, por tal acontecimento?
¿Que mente brilhante pode chegar a conclusão de que se é “escolhido de Deus” por simplesmente ter nascido em determinado lugar?
Estas perguntas denotam para os judeus e para os cristãos uma evidência incontrastável da ignorância deste que escreve, é claro.
Como todos aqueles que ousam criticar Israel, de acordo com eles, são anti-semitas, julgo que acabarão por me incluir como partidário dos nazistas.
Logo eu, que sou comunista, o que é, em outros termos, ser exatamente o avesso de um nazista.
Mas tudo bem, ¿fazer o que?
Não há argumentos contra a imbecilidade e/ou o fanatismo.