quinta-feira, 6 de julho de 2017

Aforismo CXXII

Eu não namoraria uma menina que me namoraria.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Planeta bola

     Eduardo Galeano, no delicioso livro Futebol ao sol e à sombra, relata a pergunta de uma jornalista à teóloga alemã Dorothee Solle:
     “– Como a senhora explicaria a um menino o que é a felicidade?
     – Não explicaria – respondeu. – Daria uma bola para que jogasse.”

      Pois bem, aqui vemos este conceito materializado numa imagem.

Alpes de Algovia, Bavária, Alemanha - por Fabian Krueger (Fotografia - site homônimo)

terça-feira, 2 de maio de 2017

O que ilumina também ofusca

É interessante notar que em Gn 15,5, Javé leva Abrão (depois renomeado Abraão) para fora da tenda e, num jogo com as palavras, o desafiou a contar as estrelas se pudesse. Em seguida, afirmou ao pastor que sua descendência seria tão farta quanto elas.
Muito tempo se passou e hoje, sob vários aspectos, não vemos os mesmos céus que os antigos viam.
Se avançamos muito em quase todas as áreas, especialmente nas possibilidades de maior conforto, por outro lado eventualmente também prosificamos nossa realidade – até mesmo o céu já não é tão poético quanto outrora.
Tão ofuscados pelas luzes da cidade, se Javé repetisse a fala nos dias de hoje, legaria a Abrão uma descendência bem diminuta, possivelmente que caberia apenas na palma de uma mão.

domingo, 8 de janeiro de 2017

Da série constatações

     A diferença entre “senso comum” e “bom senso” é facilmente observada.
     Senso comum é o modo de pensar da maioria das pessoas. Já bom senso, claro, é aquilo que eu tenho.
     Diga-se de passagem, é preciso ter algum bom senso para perceber que esta análise compõe o senso comum.

sábado, 19 de novembro de 2016

Fotografia manipulada - por Michał Karcz (Site homônimo)

Da série constatações

     “Aquele que elabora uma política e é incapaz de expô-la claramente aos outros está em pé de igualdade com quem jamais pôde concebê-la” disse Péricles, filho de Xântipos, num discurso em Atenas há dois milênios e alguns séculos.

     ¿Não lembra alguém que ocupou o cargo de presidente da república no Brasil?

Fotografia - por Audun Rikardsen (site homônimo)

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Doenças incuráveis

     Navegando pela internet, deparo-me com um site que anuncia em letras garrafais: 

CURA QUÂNTICA BIOENERGÉTICA ESPIRITUAL

     É aquele tipo de coisa que você não pode deixar de perder.
     Só de ter lido o título já me senti um pouco mal, parecendo que os anticorpos do meu corpo reagiam para não ser infectado pelo vírus do embuste quântico.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

quinta-feira, 16 de junho de 2016

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Da série constatações

     Triste é dar-se conta de que, caso Jesus Cristo retornasse a terra hoje, com certeza ele seria assassinado por suas ideias, valores e crença religiosa, do mesmo modo que há mais de dois mil anos.
     Parece que não evoluímos muito nos motivos que o fizeram vir a terra (não eram os tecnológicos).

    Uma pergunta que se pode fazer é: ¿quem cometeria esta barbaridade?
     Arrisco responder que algumas autoridades mantenedoras do status quo (notoriamente as do Estado) seriam especialmente propensas a fazê-lo.
     Mas, se viesse a ser assassinado por conta de suas crenças religiosas, é certo que, por uma das ironias da história, não seria assassinado por ateus: mas por lideranças religiosas cristãs.

sábado, 19 de dezembro de 2015

Papel de parede - por Static pexels

Da serie constatações

     Triste é o país em que há cidadãos que vão para a rua protestar contra a corrupção e o fazem com a camisa que ostenta o brasão da CBF e, como se não bastasse, alguns levam a bandeira brasileira, mas queriam mesmo era morar em Miami.
     Uma lástima.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Salomão – uma história e um adágio

     No Antigo testamento, especificamente no primeiro livro dos Reis, 3,16-28, conta-se a história que duas prostitutas viviam juntas, e uma teve um filho com apenas três dias de diferença da outra. Porém, uma das crianças morreu à noite, e as mães se acusavam reciprocamente de terem trocado o menino, de modo a parecer que fora o rebento da outra que falecera e o seu permanecia vivo. Restara, portanto, uma criança para duas auto-atribuídas mães. Elas dirigiram-se ao rei Salomão, em um costume antigo, pedindo que Sua Majestade fizesse justiça, tomando uma decisão sobre a demanda que as dividia.
     Como solução para esta querela, o Rei israelita pediu então uma espada para partir a criança ao meio, desta maneira cada uma das mães ficaria com a metade do corpo do neném e ambas estariam satisfeitas. Ante decisão tão severa, uma das mulheres preferiu ceder e entregar o filho inteiro a outra do que vê-lo cortado. Esta outra, entretanto, concordou com a cruel divisão do bebê em duas postas.
     A pequena história poderia ser mais uma das múltiplas decisões ásperas do Antigo Testamento, mas o rei Salomão, em um gesto de sabedoria emanada do próprio Deus, manda então que se entregue a criança viva e íntegra a primeira mulher, que preferira perder o filho a vê-lo dividido. Aquela era a mãe.
     Muito curioso é que ao término dessa história, “todo o Israel ouviu a sentença que o rei proferira, e temeu ao rei; porque viu que havia nele a sabedoria de Deus para fazer justiça.”
     De minha parte, sempre imaginei que a justiça aplicada com sabedoria não seria algo a se temer, mas sim a se louvar. O povo israelita parecia pensar diferente.
     Não sei se algo mudou até os dias hodiernos.


     Em outro momento, o mesmo Salomão, em um dos seus múltiplos adágios considerados inspirados (em vários sentidos), afirmou que nada de novo havia de baixo do sol. Mais adiante, no Eclesiastes, esta frase é reforçada por Coélet (um personagem que atribui fabulosamente seus escritos a Salomão) asseverando que se alguém diz “Olha, isto é novo”, se equivoca, pois já ocorreu antes de nós.
     Os dois sábios não só foram desmentidos literalmente pelos avanços tecnológicos, que nos permitiram avançar para lá dos céus onde eles sequer imaginavam que alguém (ou alguma coisa enviada por nós) poderia certo dia alcançar, mas mesmo metaforicamente, seus aforismos não se sustentam.
     Isto porque, pra quem se atenta, a vida não para de nos surpreender.