Rememoro-me de um dos famosos (não sei se verdadeiro) chistes com Garrincha. Antes de um jogo de copa do mundo contra a Rússia, o técnico brasileiro Vicente Feola explicava:
- Garrincha, é o seguinte. Você pega a bola pelo canto, entra na área, dribla o zagueiro e toca pro Vavá fazer o gol.
No que garrincha respondeu:
- Tudo bem, mas você já combinou isto com os russos?
Todas as vezes que observo o estádio “Engenhão” vazio, a despeito dos clássicos que ali ocorrem, penso que os doutos que planejaram construir ali aquela extremamente onerosa obra (tanto na licitação, quanto nos seus famosos “aditamentos”), reflito que faltou combinar com os cariocas.
P.S: O único acerto de planejamento foi o Botafogo ter arrendado aquele estádio. Como este time já não tem torcida (e a que possui é proporcionalmente velha), um estádio grande já ficaria as moscas de qualquer modo, então, melhor mesmo que seja ao menos destinado a este time perdedor. Ao menos os botafoguenses passam a ter um álibi (mesmo que falso) do estádio continuamente vazio.
terça-feira, 12 de abril de 2011
Mau exemplo e maldades outras
Uma das coisas que me deixou assustado com a tragédia do assassinato das crianças na escola do Rio de Janeiro, é a possibilidade de este evento voltar a se repetir, por causa da ideia que ele transmitiu, do grande estardalhaço que causou.
Relembro-me que, quando o primeiro suicida pulou da terceira ponte, em Vitória, outros vários vieram em seguida – e alguns mais chegaram a se pendurar na ponte e desistiram. Agora mornou. Mas, com certeza, o primeiro acabou empolgando os subsequentes.
Gente doida há demais no mundo. Espero que nenhum se impressione com a fama adquirida pelo facínora e tente extravasar seus sentimentos atrozes para atingir algo similar.
Duas maldades cômicas ocorreram de quando destes suicídios e quase suicídios na 3ª ponte. Quando alguém fica dependurado na ponte, o trânsito, obviamente, é interrompido, o que calha por gerar um congestionamento imenso. Pra grande parte das muitas pessoas que já estão no meio da ponte, dentro dos coletivos, já não convém voltar mais: atravessam seus quilômetros de extensão a pé, na pista contrária de onde o cidadão ameaça se jogar. Em um dos casos, o quase-suicida refletia mais demoradamente sobre seu futuro, porém, as indignadas pessoas que passavam do outro lado da pista conseguiam lhe dirigir palavras, ¿e quais eram? Se mata, seu merda, Agora se joga, Pula, seu FDP; e afins. O cara acabou não se empolgando com o “incentivo”, de qualquer modo.
Outro caso, quando o suicida de fato atingiu seu objetivo, um desenhista tascou no jornal no dia seguinte um diálogo (mais ou menos com estas palavras), em que uma pessoa perguntava a outra:
- Ele pulou mesmo da ponte? Por que será que ele fez esta loucura? – No que o outro respondeu:
- Será que ele não tinha dinheiro para pagar o pedágio?
No dia seguinte, sabiamente o chargista pediu desculpas à família e amigos do suicida.
E pensando nisto, uma coisa leva à outra, penso que é muito rara a piada que não tenha um quê de maldade. A verdade, em si, pouco importa numa pilhéria, mas a malícia é fundamental, o que não é nada demais: as pessoas não são inocentes (em vários sentidos), o mundo não é inocente, ¿por que as piadas seriam?
Relembro-me que, quando o primeiro suicida pulou da terceira ponte, em Vitória, outros vários vieram em seguida – e alguns mais chegaram a se pendurar na ponte e desistiram. Agora mornou. Mas, com certeza, o primeiro acabou empolgando os subsequentes.
Gente doida há demais no mundo. Espero que nenhum se impressione com a fama adquirida pelo facínora e tente extravasar seus sentimentos atrozes para atingir algo similar.
***
Duas maldades cômicas ocorreram de quando destes suicídios e quase suicídios na 3ª ponte. Quando alguém fica dependurado na ponte, o trânsito, obviamente, é interrompido, o que calha por gerar um congestionamento imenso. Pra grande parte das muitas pessoas que já estão no meio da ponte, dentro dos coletivos, já não convém voltar mais: atravessam seus quilômetros de extensão a pé, na pista contrária de onde o cidadão ameaça se jogar. Em um dos casos, o quase-suicida refletia mais demoradamente sobre seu futuro, porém, as indignadas pessoas que passavam do outro lado da pista conseguiam lhe dirigir palavras, ¿e quais eram? Se mata, seu merda, Agora se joga, Pula, seu FDP; e afins. O cara acabou não se empolgando com o “incentivo”, de qualquer modo.
Outro caso, quando o suicida de fato atingiu seu objetivo, um desenhista tascou no jornal no dia seguinte um diálogo (mais ou menos com estas palavras), em que uma pessoa perguntava a outra:
- Ele pulou mesmo da ponte? Por que será que ele fez esta loucura? – No que o outro respondeu:
- Será que ele não tinha dinheiro para pagar o pedágio?
No dia seguinte, sabiamente o chargista pediu desculpas à família e amigos do suicida.
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E pensando nisto, uma coisa leva à outra, penso que é muito rara a piada que não tenha um quê de maldade. A verdade, em si, pouco importa numa pilhéria, mas a malícia é fundamental, o que não é nada demais: as pessoas não são inocentes (em vários sentidos), o mundo não é inocente, ¿por que as piadas seriam?
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Castelos e Satiagrahas desmoronam (¿Democracia pra quem?)
Todas as vezes que um répobro de um juiz deseja atentar contra a sociedade inocentando um criminoso rico, ele fatalmente dirá defender com sua decisão o “estado democrático de direito”.
De maneira menos corriqueira, também ouviremos disparates acerca de “garantias individuais” e “estado policial”.
Bem, como é óbvio, não passam de desculpas para tentar legitimar suas decisões horríveis, injustificáveis sob qualquer ótica – exceto, talvez, a do próprio bolso.
Costumam sobrar ainda críticas ásperas, não pela inatividade – o que pode e deve ser criticado, pois ainda há muito o que progredir neste aspecto –, mas pela atuação do ministério público e da polícia federal. O único erro na atuação destes órgãos, na verdade, é investigar os inimputáveis, os corruptores, os donos do poder.
Bastante cuidado com estas três expressões, portanto. Elas não costumam estar na boca de boa gente.
Muito ao contrário.
No Brasil, caso clássico, a mesma pessoa que despende loas e mais loas a velha puta chamada democracia, defende arduamente a autonomia do Banco Central. E aí eu pergunto: ¿quem elegeria os diretores do BC quando tal autonomia lhes fosse concedida? ¿Quem controlaria a política econômica do país? ¿Quando algo desse errado, como conseguiríamos substituí-los de lá, já que não teríamos direito a voto para derrubá-los?
Poderia explanar em longas palavras a profunda antinomia de se defender as duas coisas simultaneamente, mas não é necessário: contra a safadeza não há palavras que bastem.
Cito, para lembrar o grande mestre Saramago, algumas tratativas suas sobre governos e democracia.
“O grande mal que pode acontecer às democracias — e penso que todas elas sofrem em maior ou menor grau dessa doença — é viverem da aparência. Isto é, desde que funcionem os partidos, a liberdade de expressão, no seu sentido mais directo e imediato, o Governo, os tribunais, a chefia do Estado, desde que tudo isto pareça funcionar harmonicamente, e haja eleições e toda a gente vote, as pessoas preocupam-se pouco com procedimentos gravemente antidemocráticos”.
“O que temos chamado de ‘poder político’ converteu-se em mero ‘comissário político’ do poder económico.”
“Quando dizemos que é um resultado importante o viver em democracia, dizemos também que é um resultado mínimo, porque a partir daí começa a crescer o que verdadeiramente falta, que é a capacidade de intervenção do cidadão em todas as circunstâncias da vida pública. Ou seja, fazer de cada cidadão um político. A liberdade de imprensa, a liberdade de organização política é o mínimo que podemos ter, porque a partir daí começa a riqueza espiritual e cívica do cidadão autêntico.”
“O grande problema do nosso sistema democrático é que permite fazer coisas nada democráticas democraticamente.”
“Tenho uma visão bastante céptica do que chamamos de democracia. Na verdade, vivemos sob uma plutocracia, sob o governo dos ricos. Com o neoliberalismo económico, certas alavancas que o Estado detinha para agir em função da sociedade praticamente desapareceram. Não se discute hoje a democracia com seriedade. Foram impostos tantos limites à democracia que se impede o desenvolvimento de outras áreas da vida humana. Veja o exemplo do Fundo Monetário Internacional. Trata-se de um organismo que não foi eleito pela população, mas que controla boa parte da economia internacional.
“Na falsa democracia mundial, o cidadão está à deriva, sem a oportunidade de intervir politicamente e mudar o mundo. Actualmente, somos seres impotentes diante de instituições democráticas das quais não conseguimos nem chegar perto.”
“O cumprimento dos direitos humanos é incompatível com o que se está a passar no mundo. Então, se os reivindicas, terás de opôr-te ao que se está a passar. (...) Sem democracia não pode haver direitos humanos, mas sem direitos humanos também não haverá democracia. Estamos numa situação em que se fala muito de democracia e nada de direitos humanos. Creio que essas são as duas grandes batalhas para este século. E se não nos lançarmos nelas, o século será um desastre.”
“Quando digo que a democracia se suicida diariamente, perde espessura e se desgasta, diminuindo a sua densidade, estou a falar de um sentimento que nos afecta, a nós, cidadãos. Sentimos, e sofremos com isso, que não temos importância no modo como funciona a sociedade.”
“O pior que pode acontecer-nos é resignarmo-nos a não saber. Há que aprender a voltar a dizer não, e a perguntarmo-nos porquê, para quê e para quem. Se encontrássemos respostas para estas perguntas, no melhor dos casos entenderíamos o mundo.”
De maneira menos corriqueira, também ouviremos disparates acerca de “garantias individuais” e “estado policial”.
Bem, como é óbvio, não passam de desculpas para tentar legitimar suas decisões horríveis, injustificáveis sob qualquer ótica – exceto, talvez, a do próprio bolso.
Costumam sobrar ainda críticas ásperas, não pela inatividade – o que pode e deve ser criticado, pois ainda há muito o que progredir neste aspecto –, mas pela atuação do ministério público e da polícia federal. O único erro na atuação destes órgãos, na verdade, é investigar os inimputáveis, os corruptores, os donos do poder.
Bastante cuidado com estas três expressões, portanto. Elas não costumam estar na boca de boa gente.
Muito ao contrário.
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No Brasil, caso clássico, a mesma pessoa que despende loas e mais loas a velha puta chamada democracia, defende arduamente a autonomia do Banco Central. E aí eu pergunto: ¿quem elegeria os diretores do BC quando tal autonomia lhes fosse concedida? ¿Quem controlaria a política econômica do país? ¿Quando algo desse errado, como conseguiríamos substituí-los de lá, já que não teríamos direito a voto para derrubá-los?
Poderia explanar em longas palavras a profunda antinomia de se defender as duas coisas simultaneamente, mas não é necessário: contra a safadeza não há palavras que bastem.
***
Cito, para lembrar o grande mestre Saramago, algumas tratativas suas sobre governos e democracia.
“O grande mal que pode acontecer às democracias — e penso que todas elas sofrem em maior ou menor grau dessa doença — é viverem da aparência. Isto é, desde que funcionem os partidos, a liberdade de expressão, no seu sentido mais directo e imediato, o Governo, os tribunais, a chefia do Estado, desde que tudo isto pareça funcionar harmonicamente, e haja eleições e toda a gente vote, as pessoas preocupam-se pouco com procedimentos gravemente antidemocráticos”.
“O que temos chamado de ‘poder político’ converteu-se em mero ‘comissário político’ do poder económico.”
“Quando dizemos que é um resultado importante o viver em democracia, dizemos também que é um resultado mínimo, porque a partir daí começa a crescer o que verdadeiramente falta, que é a capacidade de intervenção do cidadão em todas as circunstâncias da vida pública. Ou seja, fazer de cada cidadão um político. A liberdade de imprensa, a liberdade de organização política é o mínimo que podemos ter, porque a partir daí começa a riqueza espiritual e cívica do cidadão autêntico.”
“O grande problema do nosso sistema democrático é que permite fazer coisas nada democráticas democraticamente.”
“Tenho uma visão bastante céptica do que chamamos de democracia. Na verdade, vivemos sob uma plutocracia, sob o governo dos ricos. Com o neoliberalismo económico, certas alavancas que o Estado detinha para agir em função da sociedade praticamente desapareceram. Não se discute hoje a democracia com seriedade. Foram impostos tantos limites à democracia que se impede o desenvolvimento de outras áreas da vida humana. Veja o exemplo do Fundo Monetário Internacional. Trata-se de um organismo que não foi eleito pela população, mas que controla boa parte da economia internacional.
“Na falsa democracia mundial, o cidadão está à deriva, sem a oportunidade de intervir politicamente e mudar o mundo. Actualmente, somos seres impotentes diante de instituições democráticas das quais não conseguimos nem chegar perto.”
“O cumprimento dos direitos humanos é incompatível com o que se está a passar no mundo. Então, se os reivindicas, terás de opôr-te ao que se está a passar. (...) Sem democracia não pode haver direitos humanos, mas sem direitos humanos também não haverá democracia. Estamos numa situação em que se fala muito de democracia e nada de direitos humanos. Creio que essas são as duas grandes batalhas para este século. E se não nos lançarmos nelas, o século será um desastre.”
“Quando digo que a democracia se suicida diariamente, perde espessura e se desgasta, diminuindo a sua densidade, estou a falar de um sentimento que nos afecta, a nós, cidadãos. Sentimos, e sofremos com isso, que não temos importância no modo como funciona a sociedade.”
“O pior que pode acontecer-nos é resignarmo-nos a não saber. Há que aprender a voltar a dizer não, e a perguntarmo-nos porquê, para quê e para quem. Se encontrássemos respostas para estas perguntas, no melhor dos casos entenderíamos o mundo.”
terça-feira, 5 de abril de 2011
Ciscos e traves
É claro que o Velho Testamento é escrito de maneira altamente metafórica – o que não perdoa, claro, alguns dos que o escreveram/participaram das histórias de serem condenados ao inferno, basta lê-lo para saber das atrocidades ali contidas.
Porém, levando em conta ao pé da letra o que está escrito (como quem escreveu gostaria que entendêssemos), alguns questionamentos insuflam-me a mente: ¿será que Deus, em sua infinita sabedoria, teve alguma dúvida de que Adão e Eva comeriam o fruto proibido?
E, um passo mais adiante: ¿caberia a nós, também cheios de falhas, atirar a primeira pedra no casal pecador?
Porém, levando em conta ao pé da letra o que está escrito (como quem escreveu gostaria que entendêssemos), alguns questionamentos insuflam-me a mente: ¿será que Deus, em sua infinita sabedoria, teve alguma dúvida de que Adão e Eva comeriam o fruto proibido?
E, um passo mais adiante: ¿caberia a nós, também cheios de falhas, atirar a primeira pedra no casal pecador?
segunda-feira, 28 de março de 2011
+ da serie constatações
Todo grande serviço é mais difícil antes de começarmos. ¿Um exemplo? Dá uma olhada na montanha que é a pilha de vasilhas do almoço de domingo... Dependendo do tamanho da família, dá vontade de chorar. Mas de pouquinho em pouquinho, vai.
P.S.: Não foi intencional o duplo sentido da última frase.
P.S.: Não foi intencional o duplo sentido da última frase.
segunda-feira, 21 de março de 2011
Da serie constatações
Motores potentes: o melhor jeito para se chegar primeiro... ao próximo sinal vermelho, em que seus ultrapassados também lhe alcançarão.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Um significado
Numa leitura qualquer, deparo-me com a palavra inane. Vou ao dicionário, eis o significado da dita-cuja:
Inane:
1. Vazio, oco. 2. Fútil, frívolo, vão.
Bem, se me fosse dada a possibilidade de agregar mais uma definição a palavra, não teria dúvidas antes de fazê-lo:
3. Aécio Neves.
Inane:
1. Vazio, oco. 2. Fútil, frívolo, vão.
Bem, se me fosse dada a possibilidade de agregar mais uma definição a palavra, não teria dúvidas antes de fazê-lo:
3. Aécio Neves.
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Seja o que for, um bom português não vai nos salvar
Dizem os çábios ser errado escrever ou falar “risco de vida”, o correto seria dizer “risco de morte”.
Muito me espanta a inteligência de quem tenha chegado a tal conclusão, e, ainda mais, os pseudo-çábios que passam – sem fazer a mínima crítica – a propagar e corrigir os que utilizam a “equivocada” expressão.
Bem, quem diz ou escreve “risco de vida” não faz nada de errado, afinal, a pessoa, animal, seja lá que besta for, arrisca perder a vida – ideia intrínseca a frase.
Em outros termos, “risco de vida” é obviamente correto, pois, quem corre risco de vida, arrisca sim, perder a vida.
Agora, quem corrige os outros sem nem pensar no que esta dizendo, apenas reproduzindo o que outros disseram, feito um papagaio, este corre outro risco: o de passar vergonha e ser desmoralizado com o mais singelo raciocínio que ele não teve a capacidade – ou mesmo a audácia – de ter.
Muito me espanta a inteligência de quem tenha chegado a tal conclusão, e, ainda mais, os pseudo-çábios que passam – sem fazer a mínima crítica – a propagar e corrigir os que utilizam a “equivocada” expressão.
Bem, quem diz ou escreve “risco de vida” não faz nada de errado, afinal, a pessoa, animal, seja lá que besta for, arrisca perder a vida – ideia intrínseca a frase.
Em outros termos, “risco de vida” é obviamente correto, pois, quem corre risco de vida, arrisca sim, perder a vida.
Agora, quem corrige os outros sem nem pensar no que esta dizendo, apenas reproduzindo o que outros disseram, feito um papagaio, este corre outro risco: o de passar vergonha e ser desmoralizado com o mais singelo raciocínio que ele não teve a capacidade – ou mesmo a audácia – de ter.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
O matrimônio
Diz a piada, que os casados quando dizem aos solteiros que casamento é bom, agem de maneira análoga aqueles que estão tomando banho na praia e dizem para os que estão secos na areia: - vem que tá quentinha... mas quando a gente entra na água, ela esta um gelo.
É de aproximadamente 50% a taxa de separações dos casamentos mais recentes, o que não me espanta, dado que, em nossa sociedade, quando não obrigados (como no serviço), somos criados para não tolerarmos o que nos tolhe. Ao contrário, somos treinados para neutralizar e afastar tudo o que nos reprime – podemos tudo, é o que toda sorte de propagandas, programas e afins tentam nos dizer.
Não podemos, infelizmente.
A começar, pelo simples princípio – como bem nos explica o filósofo italiano Norberto Bobbio – de que nós possuímos direitos, porém, cada direito implica num dever, no dever da outra pessoa de respeitá-lo. E, evidentemente, a recíproca é verdadeira.
O que de fato me espanta não são nem tanto as separações, e sim as manutenções de casamentos que não fazem sentido algum, especialmente passados aqueles cinco primeiros anos, quando ainda se tolera muita coisa, pois o fogo da paixão ainda não esmaeceu.
Basta refletir: ¿quantos casamentos do seu círculo de fato mereciam ter continuado? ¿quantos casamentos que você vê possuem vínculo bom o suficiente para poderes se espelhar neles? ¿Você se espelharia no casamento de seus pais? (isto, claro, se nem eles mesmo já se espelharem, se já não tiverem abandonado o barco e se separado).
O que muitas vezes observo é que, destes 50% que permaneceram casados, grande parte das separações só não ocorreu porque daria muito trabalho. Vai-se ficando, vai-se acostumando, permanecendo com uma pessoa, mesmo já não fazendo nenhum sentido, porque seria uma tarefa muito árdua começar tudo de novo, deixar os filhos, ter que remontar uma casa, ¡e ainda pagar pensão!...
A grande maioria dos casamentos que vejo são um misto de frustrações, um acúmulo de mágoas e concessões que ambos os cônjuges julgam excessivas (de sua parte), e, acima de tudo, cansaço. Cansaço da pessoa, dos trejeitos, das coisas que incomodam repetidamente, cansaço de tudo, em resumo.
O sexo declina em quantidade e intensidade com o tempo, o que antes era motivo de piada passa a incomodar, o tédio sobrevém, as crianças sugam a energia...
De fato, não é fácil.
Não por culpa destes problemas acumulados, mas também como elemento motivador, a grande maioria dos homes trai (se eu fosse chutar um número diria que 95% dos homens o fazem, se fosse chutar outro número seria maior que este), e as mulheres cada vez mais vão aprendendo o mesmo caminho.
É deveras incrível este fato, mas devo dizer que – fazendo um aparte no assunto principal do escrito – cá do diminuto grupo dos 5% no qual estou inserido (não é hipocrisia), chega a ser assustador tal desvio moral ser tão abrangente.
E mais assustador ainda é o fato de muitas, muitas pessoas com as quais convivo/convivi ainda jactarem-se de traírem suas respectivas.
É impressionante.
Outra coisa curiosa é que, claro, para cada mulher traída, há outra que, na grande maioria dos casos, sabe que o seu parceiro esta traindo sua respectiva, e assim mesmo o faz. Esta “ricardona” não possui imaginação suficiente para compreender que, quando conseguir um relacionamento sério, outra mulher fará o mesmo com ela. Imagina que com ela não vai acontecer, "Fulano me respeita”. Tolinha.
Voltando ao tema, na verdade, são vários os elementos espantosos no assunto.
- Como já disse, os casamentos carcomidos que se sustém pelo hábito, ou porque seria demasiadamente difícil recomeçar.
- As traições, tão constantes que realizá-las já nem “pega mal”.
- O fato de tantas meninas mais novas vincularem sua felicidade ao casamento – como se neste tudo fossem flores, como se o matrimônio não resolvesse vários problemas, mas criasse tantos outros.
Enfim, não desejava escrever de maneira que o texto soasse pessimista como acabou ficando.
Mas fica a constatação final de que, quem desejar fundar um relacionamento feliz, baseado na reciprocidade, na confiança, na alegria de estar juntos, na cumplicidade e na coesão, deve fundamentar tal relacionamento baseando-se num objetivo – e não em nossa realidade putrefata.
Boa sorte aos noivos, então.
Mais cedo ou mais tarde me junto ao clube - e tento fazer diferente.
É de aproximadamente 50% a taxa de separações dos casamentos mais recentes, o que não me espanta, dado que, em nossa sociedade, quando não obrigados (como no serviço), somos criados para não tolerarmos o que nos tolhe. Ao contrário, somos treinados para neutralizar e afastar tudo o que nos reprime – podemos tudo, é o que toda sorte de propagandas, programas e afins tentam nos dizer.
Não podemos, infelizmente.
A começar, pelo simples princípio – como bem nos explica o filósofo italiano Norberto Bobbio – de que nós possuímos direitos, porém, cada direito implica num dever, no dever da outra pessoa de respeitá-lo. E, evidentemente, a recíproca é verdadeira.
O que de fato me espanta não são nem tanto as separações, e sim as manutenções de casamentos que não fazem sentido algum, especialmente passados aqueles cinco primeiros anos, quando ainda se tolera muita coisa, pois o fogo da paixão ainda não esmaeceu.
Basta refletir: ¿quantos casamentos do seu círculo de fato mereciam ter continuado? ¿quantos casamentos que você vê possuem vínculo bom o suficiente para poderes se espelhar neles? ¿Você se espelharia no casamento de seus pais? (isto, claro, se nem eles mesmo já se espelharem, se já não tiverem abandonado o barco e se separado).
O que muitas vezes observo é que, destes 50% que permaneceram casados, grande parte das separações só não ocorreu porque daria muito trabalho. Vai-se ficando, vai-se acostumando, permanecendo com uma pessoa, mesmo já não fazendo nenhum sentido, porque seria uma tarefa muito árdua começar tudo de novo, deixar os filhos, ter que remontar uma casa, ¡e ainda pagar pensão!...
A grande maioria dos casamentos que vejo são um misto de frustrações, um acúmulo de mágoas e concessões que ambos os cônjuges julgam excessivas (de sua parte), e, acima de tudo, cansaço. Cansaço da pessoa, dos trejeitos, das coisas que incomodam repetidamente, cansaço de tudo, em resumo.
O sexo declina em quantidade e intensidade com o tempo, o que antes era motivo de piada passa a incomodar, o tédio sobrevém, as crianças sugam a energia...
De fato, não é fácil.
Não por culpa destes problemas acumulados, mas também como elemento motivador, a grande maioria dos homes trai (se eu fosse chutar um número diria que 95% dos homens o fazem, se fosse chutar outro número seria maior que este), e as mulheres cada vez mais vão aprendendo o mesmo caminho.
É deveras incrível este fato, mas devo dizer que – fazendo um aparte no assunto principal do escrito – cá do diminuto grupo dos 5% no qual estou inserido (não é hipocrisia), chega a ser assustador tal desvio moral ser tão abrangente.
E mais assustador ainda é o fato de muitas, muitas pessoas com as quais convivo/convivi ainda jactarem-se de traírem suas respectivas.
É impressionante.
Outra coisa curiosa é que, claro, para cada mulher traída, há outra que, na grande maioria dos casos, sabe que o seu parceiro esta traindo sua respectiva, e assim mesmo o faz. Esta “ricardona” não possui imaginação suficiente para compreender que, quando conseguir um relacionamento sério, outra mulher fará o mesmo com ela. Imagina que com ela não vai acontecer, "Fulano me respeita”. Tolinha.
Voltando ao tema, na verdade, são vários os elementos espantosos no assunto.
- Como já disse, os casamentos carcomidos que se sustém pelo hábito, ou porque seria demasiadamente difícil recomeçar.
- As traições, tão constantes que realizá-las já nem “pega mal”.
- O fato de tantas meninas mais novas vincularem sua felicidade ao casamento – como se neste tudo fossem flores, como se o matrimônio não resolvesse vários problemas, mas criasse tantos outros.
Enfim, não desejava escrever de maneira que o texto soasse pessimista como acabou ficando.
Mas fica a constatação final de que, quem desejar fundar um relacionamento feliz, baseado na reciprocidade, na confiança, na alegria de estar juntos, na cumplicidade e na coesão, deve fundamentar tal relacionamento baseando-se num objetivo – e não em nossa realidade putrefata.
Boa sorte aos noivos, então.
Mais cedo ou mais tarde me junto ao clube - e tento fazer diferente.
domingo, 23 de janeiro de 2011
Nós e eles
Eles têm:
- O truculento John Rambo
- O astuto Jason Bourne
- O Duro de Matar detetive John McClane
- Exterminadores do futuro mais ou menos letais consoante o ano de fabricação
- O resistente carcamano Rocky Balboa
- O habilidoso tenente-aviador Pete “Maverick” Mitchell e seus ases indomáveis
- O “resgatador” insuperável, coronel das Forças Especiais James Braddock
- O destruidor de Matrix, o incrível Mr. “Neo” Anderson
- Os tenazes Martin Riggs e Roger Murtaugh, que somados compõem uma máquina mortífera
- Luc Devreux e Andrew Scott, cada soldado universal mais brabo que outro
- O cômico tira da pesada Axel Foley
- O inatingível Steven Seagal (aquele que só faz filmes de luta e nunca leva um soco sequer)
- O criativo Angus “Mac” Gyver
- Os senis, porém, ainda letais, William Munny e Red Logan, os imperdoáveis pistoleiros cowboys
- O apocalíptico Mad Max Rockatansky
- O vingativo gladiador Maximus Decimus Meridius
- O forte caminhoneiro Lincoln “Falcão” Hawk e sua pegada firme na queda de braço (quando ele vira o boné já era, é a própria máquina)
- O patriota de coração valente William Wallace
- O agente especial Jack Bauer, capaz de feitos extraordinários em meras 24h.
- O agente do serviço secreto Ethan Hunt, feitor de uma missão impossível seguida da outra.
- O (nada) pacificador Tenente-coronel Thomas Devoe
- Os agentes K e J, os Men In Black (MIB) – Homens de preto
- O implacável poderoso chefão Don Vito Corleone
- O sinistro policial Marion “Stallone Cobra” Cobretti
- Vingadores do futuro e do presente, predadores, os tais 300, múmias, transformers, moscas, aliens, a porra toda, em resumo
¿E nós? Bem, nós temos o Dadinho, aliás, Dadinho é o caralho, nós temos o Zé Pequeno e o Capitão Nascimento.
¿Ta na dúvida em qual é melhor?
- Matias (still alive), pega a doze.
- O truculento John Rambo
- O astuto Jason Bourne
- O Duro de Matar detetive John McClane
- Exterminadores do futuro mais ou menos letais consoante o ano de fabricação
- O resistente carcamano Rocky Balboa
- O habilidoso tenente-aviador Pete “Maverick” Mitchell e seus ases indomáveis
- O “resgatador” insuperável, coronel das Forças Especiais James Braddock
- O destruidor de Matrix, o incrível Mr. “Neo” Anderson
- Os tenazes Martin Riggs e Roger Murtaugh, que somados compõem uma máquina mortífera
- Luc Devreux e Andrew Scott, cada soldado universal mais brabo que outro
- O cômico tira da pesada Axel Foley
- O inatingível Steven Seagal (aquele que só faz filmes de luta e nunca leva um soco sequer)
- O criativo Angus “Mac” Gyver
- Os senis, porém, ainda letais, William Munny e Red Logan, os imperdoáveis pistoleiros cowboys
- O apocalíptico Mad Max Rockatansky
- O vingativo gladiador Maximus Decimus Meridius
- O forte caminhoneiro Lincoln “Falcão” Hawk e sua pegada firme na queda de braço (quando ele vira o boné já era, é a própria máquina)
- O patriota de coração valente William Wallace
- O agente especial Jack Bauer, capaz de feitos extraordinários em meras 24h.
- O agente do serviço secreto Ethan Hunt, feitor de uma missão impossível seguida da outra.
- O (nada) pacificador Tenente-coronel Thomas Devoe
- Os agentes K e J, os Men In Black (MIB) – Homens de preto
- O implacável poderoso chefão Don Vito Corleone
- O sinistro policial Marion “Stallone Cobra” Cobretti
- Vingadores do futuro e do presente, predadores, os tais 300, múmias, transformers, moscas, aliens, a porra toda, em resumo
¿E nós? Bem, nós temos o Dadinho, aliás, Dadinho é o caralho, nós temos o Zé Pequeno e o Capitão Nascimento.
¿Ta na dúvida em qual é melhor?
- Matias (still alive), pega a doze.
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
Da serie perguntas que não querem calar
¿De que adianta dizerem que a poltrona do avião é flutuante, se a própria pesadíssima aeronave afunda?
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Da serie constatações (masculinas)
Vamos ao banheiro, há mictórios individuais e um cara usando. Se houver disponibilidade, jamais vamos utilizar o mictório logo ao lado deste que esta sendo utilizado, a despeito deles serem individuais. Damos pelo menos um mictório de distância.
E se utilizamos o mictório coletivo e já houver alguém o utilizando, mesmo depois de prepararmos a arma para utilização e não existir nenhum empecilho para mijarmos, bate um leve constrangimento da pessoa estar ao seu lado enquanto fazes algo particular... e fatalmente a urina vai demorar um pouco mais a sair.
E se utilizamos o mictório coletivo e já houver alguém o utilizando, mesmo depois de prepararmos a arma para utilização e não existir nenhum empecilho para mijarmos, bate um leve constrangimento da pessoa estar ao seu lado enquanto fazes algo particular... e fatalmente a urina vai demorar um pouco mais a sair.
Da serie constatações
Encontrar a pessoa certa já é uma puta dificuldade. Porém, com certeza, mais difícil que encontrá-la é, depois de tê-la achado, manter o esperado relacionamento íntegro – a despeito das lascas e fissuras que vão surgindo ao longo do tempo.
domingo, 9 de janeiro de 2011
sábado, 8 de janeiro de 2011
Da serie constatações + uma pergunta que não quer calar
Por mais que mudemos de cabeleireiro, todas as vezes que vamos ao referido profissional e este termina seu serviço, eles sempre penteiam nossos cabelos de maneira diferente da de quando nós chegamos.
Daí fica aquela dúvida na nossa cabeça (literalmente): ¿Será que a forma como estou penteando é errada?
Daí fica aquela dúvida na nossa cabeça (literalmente): ¿Será que a forma como estou penteando é errada?
Da serie perguntas que não querem calar
Compõe de maneira irremediável a história dos games o jurássico jogo de atari mundialmente conhecido, o Pac-man.
Mas a pergunta que não quer calar é: alguém já zerou esta porra deste jogo? Conhecem alguém que já tenha dado cabo da hercúlea tarefa?
¿Como pode ter feito sucesso um jogo impossível de se vencer?
É um mistério.
Ou, talvez este enorme nível de dificuldade seja exatamente um dos motivos pelos quais tenha obtido extenso êxito comercial.
Vai saber.
Mas a pergunta que não quer calar é: alguém já zerou esta porra deste jogo? Conhecem alguém que já tenha dado cabo da hercúlea tarefa?
¿Como pode ter feito sucesso um jogo impossível de se vencer?
É um mistério.
Ou, talvez este enorme nível de dificuldade seja exatamente um dos motivos pelos quais tenha obtido extenso êxito comercial.
Vai saber.
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Da serie constatações
Quando nós sabemos que a comida é muito calórica... o sabor da refeição já não é mais o mesmo.
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
O fetiche intelectual
Não me desesperanço com aqueles que não leem e afirmam que não o fazem porque não gostam. É uma opção, com consequências negativas e positivas, como outra qualquer.
Eu lamento, deveras, por aqueles que passam mais tempo dizendo que gostam de ler livros do que lendo, propriamente.
Para esses, em que a literatura é um mero fetiche, um arremedo para seu hebetismo, dedico estas ingratas linhas.
Então, a esses que entram em livrarias todas as vezes que vão ao shopping e jamais compram nada, justificando que é caro, mas que, ironia dorida, jamais pegaram um livro emprestado numa biblioteca (senão quando um professor qualquer obrigou), a estes leitores de Dan Brown ou auto-ajuda, dedico humilde e singelamente, de coração contrito e lágrimas contidas, um olhar de cima para baixo, um desprezo que não consigo conter, uma lamúria derradeira sobre sua nociva pseudo-intelectualidade, a bagatela de vossas inteligências.
Eles se julgam superiores aos meros mortais por estes não lerem, por falarem eventualmente errado, por não terem curso superior. Quem dera estes pseudo-intelectuais pudessem permutar suas inteligências pelas suas arrogâncias. Julgam que uma é grande e a outra é bem pequena, quando na verdade, na maioria das vezes é exatamente o contrário.
Bem, nutrir tais sensações não me faz bem, é claro, mas convenhamos que é difícil se conter ante a ignomínia daqueles que deveriam compor a elite intelectual do país, e na verdade são fantasmas do que poderiam ser, fantoches que nada contribuem para o desenvolvimento da nação, mesquinhos eivados de uma soberba injustificada, que insistem ainda em se julgarem melhores do que os outros.
Vejo muita gente criticando o “povo brasileiro”, chamando-o de ignorante, preguiçoso e que tais, porém, muito mais pernicioso ao país do que sua parcela mais humilde é a sua elite burra.
Uma lástima.
Eu lamento, deveras, por aqueles que passam mais tempo dizendo que gostam de ler livros do que lendo, propriamente.
Para esses, em que a literatura é um mero fetiche, um arremedo para seu hebetismo, dedico estas ingratas linhas.
Então, a esses que entram em livrarias todas as vezes que vão ao shopping e jamais compram nada, justificando que é caro, mas que, ironia dorida, jamais pegaram um livro emprestado numa biblioteca (senão quando um professor qualquer obrigou), a estes leitores de Dan Brown ou auto-ajuda, dedico humilde e singelamente, de coração contrito e lágrimas contidas, um olhar de cima para baixo, um desprezo que não consigo conter, uma lamúria derradeira sobre sua nociva pseudo-intelectualidade, a bagatela de vossas inteligências.
Eles se julgam superiores aos meros mortais por estes não lerem, por falarem eventualmente errado, por não terem curso superior. Quem dera estes pseudo-intelectuais pudessem permutar suas inteligências pelas suas arrogâncias. Julgam que uma é grande e a outra é bem pequena, quando na verdade, na maioria das vezes é exatamente o contrário.
Bem, nutrir tais sensações não me faz bem, é claro, mas convenhamos que é difícil se conter ante a ignomínia daqueles que deveriam compor a elite intelectual do país, e na verdade são fantasmas do que poderiam ser, fantoches que nada contribuem para o desenvolvimento da nação, mesquinhos eivados de uma soberba injustificada, que insistem ainda em se julgarem melhores do que os outros.
Vejo muita gente criticando o “povo brasileiro”, chamando-o de ignorante, preguiçoso e que tais, porém, muito mais pernicioso ao país do que sua parcela mais humilde é a sua elite burra.
Uma lástima.
sábado, 25 de dezembro de 2010
Super-destinos
O Super-homem fazia propaganda da coca-cola.
O Homem-aranha fora pego mais de uma vez espiando mulheres nuas através de básculas de banheiros.
O Wolverine era o rei do vale-tudo (proibiam-no de usar as garras, aí já era demais).
O Homem de Ferro gastou todo seu dinheiro com prostitutas, apostas e por fim, com a heroína. Hoje vive
marginalizado, construindo brinquedos eletrônicos, porém, os negócios não vão bem (a China é foda).
O Aquaman está passando fome com a pesca predatória no mundo todo.
O bilionário Arqueiro verde perdeu um braço caindo de moto e sua fortuna na bolsa de valores. A Canário Negro o abandonou. Não se sabe ao certo se o término da relação tem a ver com seu súbito empobrecimento. Mas especula-se muito.
Robin deu um pé na bunda do Batman, o pai que ele não teve e nem queria ter, ser anti-social e maníaco-depressivo.
Capitão América cansou de ser o símbolo favorito do partido republicano, hoje é mundialmente conhecido como Capitão Suíça, e se notabiliza por defender o papa. Queimam as más línguas dizendo que tal poder ressuscitará a Santa (¿) Inquisição. Entretanto, mais de três dias já se passaram e nada ressuscitou.
Colossus entrou em terapia para tentar curar o amor platônico que sente pela irmã.
O Demolidor perdeu tantas nos tribunais, que hoje virou advogado de porta de cadeia. Aceita qualquer parada.
A Liga da Justiça se dividiu em dois times, vulgarmente conhecidos como “Vanguarda da Verdade” e “Defensores do Destino”. Como também são conhecidos pelas siglas VV e DD, os detratores dos respectivos grupos (sempre torcendo pelo outro) chamam uns de Viados Velhos e o outro de Demônios Deturpados.
De fato, os dois grupos vivem se estranhando, e cidades já foram destruídas sem que um lado sobrepujasse. Dada a multinacionalidade e os planetas diversos de origem dos seus membros, os heróis perderam seus greencards, neste momento estão em processo de extradição para a África. A direita estadunidense afirma que lá já não há nada para destruir, mesmo.
Salsicha, Scooby Doo e Garfield estão internados em um SPA, os três com obesidade mórbida, colesterol alto e severos outros problemas decorrentes de seus apetites insaciáveis.
A Felícia finalmente foi encarcerada devido à indubitável tortura que exercia em seus animais.
O Hulk foi oficialmente banido do mundo civilizado, dada a destruição por ele acarretada sempre que fica nervozinho. Porém, há um pesado lobby pedindo que ele volte. Desconfia-se que este lobby seja financiado pelas empreiteiras, que sempre lucram muito cada vez que o homem verde se estressa.
O já decrépito mestre Splinter - o rato mentor das tartarugas ninja - não resistiu aos muitos inseticidas despejados contra seus irmãos roedores, que calhavam por também afetá-lo e veio a falecer.
O Surfista Prateado deu um tempo da Terra, pois segundo ele as ondas daqui não são nada perto de surfar nos anéis de Saturno.
Ciclope concorre arduamente com o Super-homem pelo título de herói mais mauricinho do universo. A disputa é acirrada e, se houvesse três ou mais concorrentes, fatalmente os dois iriam para o segundo turno.
O Coisa vive num zoológico. Não é das atrações mais visitadas, mas dá pra se suster (ele ganha royalties).
A Mulher-gavião casou com Falcão, vocalista do Rappa.
O Homem de Gelo se mudou para o pólo norte, está tentando conter o aquecimento global. Segundo os mais proeminentes cientistas, ainda não deu resultado.
O He-man resolveu tomar vergonha na cara e colocou uma bermuda por cima da cueca.
Os smurfs foram classificados como um tipo de inseto, parentes próximos das formigas.
Noturno dos x-men, voltou para o circo, mas agora se apresenta em dupla, junto com o Fera, o irmão que ele não teve.
O Flash quis disputar as provas de atletismo das olimpíadas sobre um pseudônimo, foi descoberto, perdeu a medalha conquistada, hoje é uma espécie de Ben Johnson dos heróis. Os jornais não escrevem, mas a boca miúda dizem que seu interesse não era a medalha, e sim os contratos da Nike que viriam a reboque, queria virar um Michael Jordan, um Tiger Woods do atletismo. Sabe-se que a generosidade desta empresa, se falta com os funcionários que fabricam seus calçados - a receber centavos de dólar por hora trabalhada nos grotões da Ásia -, é farta com seus patrocinados, a receber polpudos patrocínios. A média é ótima.
Thor abandonou o martelo, arma antiquada e em completo desuso, adquiriu um AR-15, eventualmente ajuda o Bope. Dizem que sonha em ser retratado no próximo filme Tropa de Elite, mas não acreditemos nisto, o povo fala demais.
Como se sabe, o Lanterna Verde é um ser qualquer que é escolhido pelo anel para defender o bem. Quando este soldado escolhido morre, o anel abandona seu corpo e vai a procura de outro. Pois bem, cansado de ser um mero joguete para o anel, seu portador, Hal Jordan, resolveu fazer exatamente o contrário, usar o anel em proveito próprio. Casou-se com uma milionária, e trocou o anel pela aliança. Só usa o referido para embevecer sua senhora, que tem fascinação por ser casada com um herói – as peruas socialites amigas da dita cuja morrem de inveja, e descontam esta raiva tendo relações extra-conjugais com ele.
Os Ursinhos Carinhosos se encontraram com os teletubs. Alguns pais mais reacionários insistem em dizer que ambos têm conotações homossexuais e proíbem os filhos pequenos de assistirem tais pornografias.
Gambit, rei da jogatina, estabeleceu-se definitivamente em Mônaco. De lá, diz que nunca sairá, mas não é verdade, na época das corridas de fórmula 1 ele sempre viaja – o diminuto país vira um inferno durante este evento, uma espécie de carnaval opulento europeu.
A Mulher-maravilha, cansada de tanto dar em cima de outros super-heróis e ser rejeitada, resolveu se entregar de vez a volúpia dos meros mortais. Virou mulher da vida, hoje dizem que já não cobra tanto quanto antes, a gravidade a afetou bastante.
O Motoqueiro-fantasma, exausto das fechadas de caminhões, dos buracos nas estradas, de taxistas, motoboys, IPVA's, licenciamentos, flanelinhas e pedágios, decidiu abandonar o asfalto e tornar-se o capitão-fantasma, comprou um barco e anda navegando pelos sete mares, não se sabe bem ao certo aonde.
O Apocalipse, dos x-men, deu um tempo com seus papos meio fascistas, de controle do mundo, domínio absoluto, autoridade universal, etc., etc., etc., virou pastor evangélico, hoje está numa cruzada pela salvação da alma dos infiéis. Tarefa árdua.
O Duende Verde encontrou seu lugar quando veio dar uma passadinha no carnaval do Rio de Janeiro. De imediato virou atração principal numa escola de Samba, a Estação Primeira de Mangueira, a famosa verde-e-rosa. O Duende nunca sentiu que algo pudesse ser construído de maneira tão perfeita para ele.
O Rei do Crime, cansado do submundo, resolveu assumir de vez a cafajestagem e se candidatou a um cargo no poder legislativo. Depois de mandatos como presidente de Assembléia Legislativa, resolveu deixar pra lá o parlamento, está indo ser ministro do Tribunal de Contas. Apesar das fartas provas, não se sabe bem porque, a imprensa não lhe faz uma denúncia sequer. Vai ver é o acaso agindo.
Magneto finalmente se internou num asilo. Anda muito revoltado, pois queria liderar os idosos com um papo de que eles eram os mais sábios e experientes, portanto, os mais novos deveriam se curvar perante suas maiores habilidades. Parte do seu exército dormia enquanto ele falava, parte não escutava, outra parte tentou marchar com ele, mas escleroses, hérnias de discos, bicos de papagaios, incontinências urinárias e afins impediram que a legião prosseguisse em sua marcha para a Vitória. Na verdade, Magneto e os seus não conseguiram sequer sair do seu bairro. E na dorida volta o Mestre do Magnetismo ouviu muitos desaforos.
O professor (¿de que, mesmo?) Charles Xavier – que fez implante de cabelo – eventualmente vem visitá-lo, conversam muito sobre o projeto genoma, remédios genéricos, perucas e Rita Cadillac.
O Pinky e o Cérebro, depois de tanto “tentar conquistar o mundo”, parece que conseguiram – dado que somos governados por ratos.
O Homem-aranha fora pego mais de uma vez espiando mulheres nuas através de básculas de banheiros.
O Wolverine era o rei do vale-tudo (proibiam-no de usar as garras, aí já era demais).
O Homem de Ferro gastou todo seu dinheiro com prostitutas, apostas e por fim, com a heroína. Hoje vive
marginalizado, construindo brinquedos eletrônicos, porém, os negócios não vão bem (a China é foda).
O Aquaman está passando fome com a pesca predatória no mundo todo.
O bilionário Arqueiro verde perdeu um braço caindo de moto e sua fortuna na bolsa de valores. A Canário Negro o abandonou. Não se sabe ao certo se o término da relação tem a ver com seu súbito empobrecimento. Mas especula-se muito.
Robin deu um pé na bunda do Batman, o pai que ele não teve e nem queria ter, ser anti-social e maníaco-depressivo.
Capitão América cansou de ser o símbolo favorito do partido republicano, hoje é mundialmente conhecido como Capitão Suíça, e se notabiliza por defender o papa. Queimam as más línguas dizendo que tal poder ressuscitará a Santa (¿) Inquisição. Entretanto, mais de três dias já se passaram e nada ressuscitou.
Colossus entrou em terapia para tentar curar o amor platônico que sente pela irmã.
O Demolidor perdeu tantas nos tribunais, que hoje virou advogado de porta de cadeia. Aceita qualquer parada.
A Liga da Justiça se dividiu em dois times, vulgarmente conhecidos como “Vanguarda da Verdade” e “Defensores do Destino”. Como também são conhecidos pelas siglas VV e DD, os detratores dos respectivos grupos (sempre torcendo pelo outro) chamam uns de Viados Velhos e o outro de Demônios Deturpados.
De fato, os dois grupos vivem se estranhando, e cidades já foram destruídas sem que um lado sobrepujasse. Dada a multinacionalidade e os planetas diversos de origem dos seus membros, os heróis perderam seus greencards, neste momento estão em processo de extradição para a África. A direita estadunidense afirma que lá já não há nada para destruir, mesmo.
Salsicha, Scooby Doo e Garfield estão internados em um SPA, os três com obesidade mórbida, colesterol alto e severos outros problemas decorrentes de seus apetites insaciáveis.
A Felícia finalmente foi encarcerada devido à indubitável tortura que exercia em seus animais.
O Hulk foi oficialmente banido do mundo civilizado, dada a destruição por ele acarretada sempre que fica nervozinho. Porém, há um pesado lobby pedindo que ele volte. Desconfia-se que este lobby seja financiado pelas empreiteiras, que sempre lucram muito cada vez que o homem verde se estressa.
O já decrépito mestre Splinter - o rato mentor das tartarugas ninja - não resistiu aos muitos inseticidas despejados contra seus irmãos roedores, que calhavam por também afetá-lo e veio a falecer.
O Surfista Prateado deu um tempo da Terra, pois segundo ele as ondas daqui não são nada perto de surfar nos anéis de Saturno.
Ciclope concorre arduamente com o Super-homem pelo título de herói mais mauricinho do universo. A disputa é acirrada e, se houvesse três ou mais concorrentes, fatalmente os dois iriam para o segundo turno.
O Coisa vive num zoológico. Não é das atrações mais visitadas, mas dá pra se suster (ele ganha royalties).
A Mulher-gavião casou com Falcão, vocalista do Rappa.
O Homem de Gelo se mudou para o pólo norte, está tentando conter o aquecimento global. Segundo os mais proeminentes cientistas, ainda não deu resultado.
O He-man resolveu tomar vergonha na cara e colocou uma bermuda por cima da cueca.
Os smurfs foram classificados como um tipo de inseto, parentes próximos das formigas.
Noturno dos x-men, voltou para o circo, mas agora se apresenta em dupla, junto com o Fera, o irmão que ele não teve.
O Flash quis disputar as provas de atletismo das olimpíadas sobre um pseudônimo, foi descoberto, perdeu a medalha conquistada, hoje é uma espécie de Ben Johnson dos heróis. Os jornais não escrevem, mas a boca miúda dizem que seu interesse não era a medalha, e sim os contratos da Nike que viriam a reboque, queria virar um Michael Jordan, um Tiger Woods do atletismo. Sabe-se que a generosidade desta empresa, se falta com os funcionários que fabricam seus calçados - a receber centavos de dólar por hora trabalhada nos grotões da Ásia -, é farta com seus patrocinados, a receber polpudos patrocínios. A média é ótima.
Thor abandonou o martelo, arma antiquada e em completo desuso, adquiriu um AR-15, eventualmente ajuda o Bope. Dizem que sonha em ser retratado no próximo filme Tropa de Elite, mas não acreditemos nisto, o povo fala demais.
Como se sabe, o Lanterna Verde é um ser qualquer que é escolhido pelo anel para defender o bem. Quando este soldado escolhido morre, o anel abandona seu corpo e vai a procura de outro. Pois bem, cansado de ser um mero joguete para o anel, seu portador, Hal Jordan, resolveu fazer exatamente o contrário, usar o anel em proveito próprio. Casou-se com uma milionária, e trocou o anel pela aliança. Só usa o referido para embevecer sua senhora, que tem fascinação por ser casada com um herói – as peruas socialites amigas da dita cuja morrem de inveja, e descontam esta raiva tendo relações extra-conjugais com ele.
Os Ursinhos Carinhosos se encontraram com os teletubs. Alguns pais mais reacionários insistem em dizer que ambos têm conotações homossexuais e proíbem os filhos pequenos de assistirem tais pornografias.
Gambit, rei da jogatina, estabeleceu-se definitivamente em Mônaco. De lá, diz que nunca sairá, mas não é verdade, na época das corridas de fórmula 1 ele sempre viaja – o diminuto país vira um inferno durante este evento, uma espécie de carnaval opulento europeu.
A Mulher-maravilha, cansada de tanto dar em cima de outros super-heróis e ser rejeitada, resolveu se entregar de vez a volúpia dos meros mortais. Virou mulher da vida, hoje dizem que já não cobra tanto quanto antes, a gravidade a afetou bastante.
O Motoqueiro-fantasma, exausto das fechadas de caminhões, dos buracos nas estradas, de taxistas, motoboys, IPVA's, licenciamentos, flanelinhas e pedágios, decidiu abandonar o asfalto e tornar-se o capitão-fantasma, comprou um barco e anda navegando pelos sete mares, não se sabe bem ao certo aonde.
O Apocalipse, dos x-men, deu um tempo com seus papos meio fascistas, de controle do mundo, domínio absoluto, autoridade universal, etc., etc., etc., virou pastor evangélico, hoje está numa cruzada pela salvação da alma dos infiéis. Tarefa árdua.
O Duende Verde encontrou seu lugar quando veio dar uma passadinha no carnaval do Rio de Janeiro. De imediato virou atração principal numa escola de Samba, a Estação Primeira de Mangueira, a famosa verde-e-rosa. O Duende nunca sentiu que algo pudesse ser construído de maneira tão perfeita para ele.
O Rei do Crime, cansado do submundo, resolveu assumir de vez a cafajestagem e se candidatou a um cargo no poder legislativo. Depois de mandatos como presidente de Assembléia Legislativa, resolveu deixar pra lá o parlamento, está indo ser ministro do Tribunal de Contas. Apesar das fartas provas, não se sabe bem porque, a imprensa não lhe faz uma denúncia sequer. Vai ver é o acaso agindo.
Magneto finalmente se internou num asilo. Anda muito revoltado, pois queria liderar os idosos com um papo de que eles eram os mais sábios e experientes, portanto, os mais novos deveriam se curvar perante suas maiores habilidades. Parte do seu exército dormia enquanto ele falava, parte não escutava, outra parte tentou marchar com ele, mas escleroses, hérnias de discos, bicos de papagaios, incontinências urinárias e afins impediram que a legião prosseguisse em sua marcha para a Vitória. Na verdade, Magneto e os seus não conseguiram sequer sair do seu bairro. E na dorida volta o Mestre do Magnetismo ouviu muitos desaforos.
O professor (¿de que, mesmo?) Charles Xavier – que fez implante de cabelo – eventualmente vem visitá-lo, conversam muito sobre o projeto genoma, remédios genéricos, perucas e Rita Cadillac.
O Pinky e o Cérebro, depois de tanto “tentar conquistar o mundo”, parece que conseguiram – dado que somos governados por ratos.
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Aforismo XCII
Polishop: o local perfeito para você comprar as tralhas que vai acabar não utilizando.
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Da serie constatações
Lula: aquém do que poderia ser e muito superior aos que o precederam.
A velha história do copo meio cheio e meio vazio.
A questão é por qual ótica se avalia.
A velha história do copo meio cheio e meio vazio.
A questão é por qual ótica se avalia.
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Encontro fatal
Se os egos de Marcelo Adnet e Marcos Mion se chocassem por aí fatalmente estaríamos perdidos, pois, outro big bang teria início no universo.
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Da serie constatações
Antigamente dizia-se que outro mundo era possível.
Prefiro dizer que outro mundo é necessário.
Prefiro dizer que outro mundo é necessário.
Day After no Planeta dos Macacos
É interessante a extensa quantidade de filmes com cenários pós-apocalípticos que surgiram nos últimos tempos, tais como Eu Sou a Lenda, Fim do mundo, Exterminador do Futuro 4, O livro de Eli e A estrada.
Talvez, pensando de maneira bem otimista, tenham como efeito uma clarificação para os teleguiados pelos senhores da guerra dos efeitos que um conflito bélico de grandes proporções traria para o mundo.
Se atingissem este objetivo, creio que estariam no fastígio daquilo que a arte pode prover.
Creio, porém, que no fim das contas é mais espetáculo do que conteúdo.
Uma lástima.
E um desperdício.
Talvez, pensando de maneira bem otimista, tenham como efeito uma clarificação para os teleguiados pelos senhores da guerra dos efeitos que um conflito bélico de grandes proporções traria para o mundo.
Se atingissem este objetivo, creio que estariam no fastígio daquilo que a arte pode prover.
Creio, porém, que no fim das contas é mais espetáculo do que conteúdo.
Uma lástima.
E um desperdício.
terça-feira, 30 de novembro de 2010
A revolução vazia
Durante o avanço do projeto genoma humano, tido como uma das maiores façanhas da humanidade, muito se falou a respeito da revolução na biologia e na medicina que seriam oriundos de sua conclusão, as curas para doenças terríveis, como o câncer, diabetes, dentre outros tantos feitos que dali viriam.
Pois bem, o projeto foi concluído em 2003.
Porém, até agora, só estamos esperando.
Pois bem, o projeto foi concluído em 2003.
Porém, até agora, só estamos esperando.
O barulho ensurdecedor
Na Declaração Universal dos Direitos do Homem, logo em seu primeiro artigo vemos escrito:
“Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos”.
Infelizmente, não é verdade nem uma coisa nem outra.
Como bem disse Jean Jacques Rousseau, logo no início de seu livro mais famoso, O contrato social: “o homem nasceu livre, e em toda parte se encontra sob ferros”.
Já quanto a igualdade em dignidade e direitos, cá estamos com outra quimera. Só vemos mais e mais desigualdade, mais e mais concentração de renda no mundo. Na década de 60, os 20% mais aquinhoados da humanidade eram trinta vezes mais ricos que os 20% mais humildes; na década de 90, a diferença entre os ricos e os desamparados havia subido para o dobro, sessenta vezes. Nos EUA a coisa é ainda mais grave. O 1% mais abastado possuía 9% da renda nacional nos anos 70. Hoje possuem 23,5% da renda total (e o Império ainda se assusta com a crise econômica que enfrenta).
Todo este grave quadro de injustiça social começa, para aquele que acabou de nascer, com a herança que receberá a partir daquele momento. No Brasil, bem como em diversas partes do mundo, o riquinho recebe o que há de melhor. Para o humilde, a escória que lhe cabe. Eles são iguais em dignidade e direitos, mas um terá um belo plano de saúde, o outro terá as filas e o atendimento precário do SUS. Um andará de carro com ar condicionado, o outro de ônibus lotado. Um herdará sua casa própria, o outro morará de aluguel, ou construirá sua residência numa favela ou periferia qualquer. Um estudará nas melhores instituições de ensino, o outro terá a sucata das escolas públicas como legado. Um estudará numa universidade federal (!), o outro sequer concluirá seus estudos. Um vai casar na igreja, vai ter festa, tudo certinho, o outro vai se “juntar” com sua mulher. Um vai ter um estritamente planejado casal de filhos com sua esposa, o outro vai ter quatro filhos de três mulheres diferentes, todos concebidos aleatoriamente. Os dois filhos premiados vão crescer e ter tudo aquilo que seu pai também teve. Os outros quatro também terão tudo aquilo que seu pai teve. Os dois primeiros vão ter bons empregos. Dos quatro últimos, um virará evangélico, uma trabalhará como atendente num shopping, um será motoboy, e um virará bandido e acabará sendo morto – pela polícia ou por seus comparsas.
No fim das contas, estes das famílias que tiveram tudo, não se darão conta de que possuem o que possuem não só por seus próprios méritos, mas simplesmente porque tiveram o acaso, o mero acaso de nascer em uma família com posses. Participaram de um jogo no qual já começaram vencedores. Não vão se tocar que diferentemente de outros, eles tiveram chances, puderam fazer escolhas, foram devidamente capacitados para obterem sucesso. E estes abastados, estes bons cristãos que toda semana vão a igreja pedir pelas suas almas e pela dos condenados, estes nascidos diferentes, estes herdeiros de oportunidades, estes com plano de saúde, boa (e gratuita) universidade, carro e casa própria, estes pequenos burgueses, do alto de sua pseudo-intelectualidade ainda terão a audácia de olhar para o programa bolsa-família com ódio, e com seu moralismo vazio bradar:
“Isso é bolsa-esmola pra sustentar vagabundos!”.
Durma-se com um barulho desses.
P.S: já bem disseram que as duas substâncias mais comuns no universo são o hidrogênio e a estupidez. Não há como discordar – a não ser se descobrirem que o hidrogênio não é tão comum assim.
*: Clique aqui para ler a Declaração Universal dos Direitos do Homem.
**: Clique aqui para ler mais trechos de “O contrato social”, de Jean Jacques Rousseau.
“Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos”.
Infelizmente, não é verdade nem uma coisa nem outra.
Como bem disse Jean Jacques Rousseau, logo no início de seu livro mais famoso, O contrato social: “o homem nasceu livre, e em toda parte se encontra sob ferros”.
Já quanto a igualdade em dignidade e direitos, cá estamos com outra quimera. Só vemos mais e mais desigualdade, mais e mais concentração de renda no mundo. Na década de 60, os 20% mais aquinhoados da humanidade eram trinta vezes mais ricos que os 20% mais humildes; na década de 90, a diferença entre os ricos e os desamparados havia subido para o dobro, sessenta vezes. Nos EUA a coisa é ainda mais grave. O 1% mais abastado possuía 9% da renda nacional nos anos 70. Hoje possuem 23,5% da renda total (e o Império ainda se assusta com a crise econômica que enfrenta).
Todo este grave quadro de injustiça social começa, para aquele que acabou de nascer, com a herança que receberá a partir daquele momento. No Brasil, bem como em diversas partes do mundo, o riquinho recebe o que há de melhor. Para o humilde, a escória que lhe cabe. Eles são iguais em dignidade e direitos, mas um terá um belo plano de saúde, o outro terá as filas e o atendimento precário do SUS. Um andará de carro com ar condicionado, o outro de ônibus lotado. Um herdará sua casa própria, o outro morará de aluguel, ou construirá sua residência numa favela ou periferia qualquer. Um estudará nas melhores instituições de ensino, o outro terá a sucata das escolas públicas como legado. Um estudará numa universidade federal (!), o outro sequer concluirá seus estudos. Um vai casar na igreja, vai ter festa, tudo certinho, o outro vai se “juntar” com sua mulher. Um vai ter um estritamente planejado casal de filhos com sua esposa, o outro vai ter quatro filhos de três mulheres diferentes, todos concebidos aleatoriamente. Os dois filhos premiados vão crescer e ter tudo aquilo que seu pai também teve. Os outros quatro também terão tudo aquilo que seu pai teve. Os dois primeiros vão ter bons empregos. Dos quatro últimos, um virará evangélico, uma trabalhará como atendente num shopping, um será motoboy, e um virará bandido e acabará sendo morto – pela polícia ou por seus comparsas.
No fim das contas, estes das famílias que tiveram tudo, não se darão conta de que possuem o que possuem não só por seus próprios méritos, mas simplesmente porque tiveram o acaso, o mero acaso de nascer em uma família com posses. Participaram de um jogo no qual já começaram vencedores. Não vão se tocar que diferentemente de outros, eles tiveram chances, puderam fazer escolhas, foram devidamente capacitados para obterem sucesso. E estes abastados, estes bons cristãos que toda semana vão a igreja pedir pelas suas almas e pela dos condenados, estes nascidos diferentes, estes herdeiros de oportunidades, estes com plano de saúde, boa (e gratuita) universidade, carro e casa própria, estes pequenos burgueses, do alto de sua pseudo-intelectualidade ainda terão a audácia de olhar para o programa bolsa-família com ódio, e com seu moralismo vazio bradar:
“Isso é bolsa-esmola pra sustentar vagabundos!”.
Durma-se com um barulho desses.
P.S: já bem disseram que as duas substâncias mais comuns no universo são o hidrogênio e a estupidez. Não há como discordar – a não ser se descobrirem que o hidrogênio não é tão comum assim.
*: Clique aqui para ler a Declaração Universal dos Direitos do Homem.
**: Clique aqui para ler mais trechos de “O contrato social”, de Jean Jacques Rousseau.
Da serie constatações
Muitas pessoas dizem que, se nascessem animais, gostariam de ser tigres, leões, cavalos, ursos, etc.
Bem, não sei ao certo qual animal eu gostaria de ser, acho que seria um gorila, pela brutalidade, pela posição hierárquica na cadeia alimentar, por ser um dos animais mais inteligentes e próximos de diversas maneiras do homem.
Porém, se não estou certo do animal que gostaria de ser, tenho convicção daquele que não gostaria de ser.
Eu não gostaria de ser uma ave de rapina brasileira.
Mais especificamente, eu não gostaria de ser um tucano.
Bem, não sei ao certo qual animal eu gostaria de ser, acho que seria um gorila, pela brutalidade, pela posição hierárquica na cadeia alimentar, por ser um dos animais mais inteligentes e próximos de diversas maneiras do homem.
Porém, se não estou certo do animal que gostaria de ser, tenho convicção daquele que não gostaria de ser.
Eu não gostaria de ser uma ave de rapina brasileira.
Mais especificamente, eu não gostaria de ser um tucano.
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