sábado, 29 de dezembro de 2012

Arte digital - por Maja Vuckovic (Inspiration Hut)

Micos perdidos no tempo

1 - Antes de começar a trabalhar, a pindaíba era deveras ferrada. Estava eu na escola e uma professora me pede:
- ¿Você compra um pacote de pipoca pra mim?
     Aquilo me desarmou totalmente, eu não tinha um centavo, só andava com o passe escolar no bolso, a situação financeira era realmente crítica:
- Professora, ¡¡¡mas eu não tenho dinheiro nem pra mim!!! – disse, com toda ênfase e inocência possíveis.
- Não, é só pra você ir buscar, eu te dou o dinheiro.
     (É claro que o diálogo tinha de ocorrer na frente de vários colegas.)
     Vendo o espanto com que eu a respondi, ela entendeu meu sofrimento e me ofereceu dinheiro para que eu comprasse um pacote de pipoca pra mim, também.
Evidentemente só comprei o dela.


2 – Estou eu em um avião lendo (ótimo lugar pra leitura), mas um senhor que estava ao meu lado puxa papo, ignoro o livro e o escuto. Conversamos um bom tanto (o voo era extenso) e lá pelas tantas ele puxa o livro que estava lendo e começa a me mostrar trechos dele, me pergunta minhas opiniões sobre os assuntos ali referidos. Vamos debatendo, vou apontando o que discordo e o que concordo das ideias contidas na obra.

     Ele então me mostra um trecho que julgo particularmente desfavorável:
- Ah, mas isto aqui não dá, o autor enrolou, ¡encheu linguiça!
     No que ele responde, para meu desespero:
- O autor do livro sou eu.


3 – Meio boquirroto que sou na hora de fazer piadas (o meio vem da minha auto-indulgência), lido com uma menina contra a qual recaíam insinuações de que seria lésbica (para alguns ignaros, absurdo de marca maior). Bem, tanto pelo fato de não ver nenhum problema nesta orientação sexual, quanto por acreditar, pelos trejeitos, roupas e que tais da menina que eram mentiras direcionadas contra ela, resolvo levantar a bola pra ela cortar (de fato cortou, mas em outra direção), pergunto na lata:

- É verdade que você cola o velcro, que bota as aranhas pra brigar?
     Para constrangimento mútuo, ela não soube o que responder: era verdade.

Fotografia - por Richard Nicoll (site homônimo)

Frase do ano

     Um bom amigo me liga e diz:
- Para todos os efeitos estou com você agora.
     Quando ia perguntar sobre o que ele estava falando, um flash maldoso me percorre a mente e respondo:
- Você tá aprontando, né, caboclo?
- Fica tranquilo, ninguém vai te ligar ou te procurar, é só pra constar, mesmo.


     De fato, ninguém ligou.




P.S: a quem quiser saber quem foi, pode preparar o pau-de-arara, a roda, o boticão, as agulhas ferventes que se enfiam embaixo da unha, as mãos para os “telefones”, os fios para os choques elétricos, os tonéis para afogamento, etc.: só sobre tortura abro o bico.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Da serie constatações

     De fato os fãs de Star Wars são capazes de feitos incríveis.
     Imagina então o que eles fariam se os filmes fossem bons...

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Fotografia - por Mark Hancox (Design Beep)

Sobre o trabalho embarcado

     Segundo diálogo com companheiros de bordo, o trabalho embarcado pode ser assim definido:
- Para os otimistas, é um cruzeiro no qual ainda ganhamos dinheiro para embarcar.
- Para os pessimistas, uma prisão na qual – não bastasse estarmos encarcerados – ainda temos de trabalhar.


     Bem, de minha parte, sem escolher entre uma opção ou outra, posso dizer que de cruzeiro só há o mar ao redor, mesmo.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Fotografia - por Laoen

Memória visual e fé

     De fato, é um alívio quando nos lembramos de algo simplesmente porque vimos o objeto, e ao vê-lo, nos recordamos da importância que ele nos possuía, de como precisamos dele. Se não o tivéssemos enxergado teríamos passado em branco, as consequências viriam depois.
     Não dá pra depender disto, mas quando acontece é de grande ajuda – às vezes fundamental.


     Assim, como um todo, são os auxílios inesperados. Eventualmente nos salvam, às vezes não surgem do nada como então necessitamos. Daí ficamos clamando as forças superiores que nos auxiliem. Na grande maioria das vezes, quedamos abandonados, ante o silêncio estrondoso como resposta.

     De qualquer modo, seguimos em frente: a fé não é inabalável, mas, emaranhada em nossos seres, também não se entrega facilmente.
     Ou, pra seguir o chavão, sou brasileiro e não desisto nunca. Nem de acreditar.

domingo, 21 de outubro de 2012

Salto da estratosfera - por Red Bull Content Pool/Yahoo (fotografia)

Uma imagem impressionante do (mais impressionante ainda) salto da estratosfera realizado pelo paraquedista austríaco Felix Baumgartner.

Papo com dois colegas ateus

     De acordo com a teoria desenvolvida no diálogo, se ficasse provado que Jesus realmente se casou, eles teriam mais um motivo irretorquível para não acreditar em Deus. Segundo a lógica exposta, seria impossível que Deus não orientasse seu filho dileto e o impedisse de cometer tamanha sandice.
     Por outro lado, argumenta a religião cristã, Jesus tem Pai divino, mas este Pai não se casou – o que é mais um argumento para que Jesus também não o fizesse.


     Omito os nomes das figuras – vai que as digníssimas ficam sabendo.

     E aí, só mesmo com uma capacidade divina de perdoar pra casa não cair...

domingo, 9 de setembro de 2012

Visão - por Przemek Nawrocki (arte digital - projeto Void)

Aqui e agora

     No que tange ao sexo, pouco importa se você teve uma transa fenomenal... se ela ocorreu em tempos idos.
     Que te vale se cinco, dez anos atrás você teve um gozo espetacular? Esta completamente fora da sua órbita, jaz.
     O que interessa no sexo é o agora. Ou, no mais tardar, o iminente.

Karkulka - por Andrea Zvadova (fotografia)

A César...

     FHC gostaria muito que o povo tivesse a boa impressão que os jornais possuem dele.
     Já o Lula gostaria muito que os jornais tivessem a boa impressão que o povo possui dele.


     De qualquer forma, cada um ficou com seu cada qual, ¿não é mesmo?