terça-feira, 21 de julho de 2009

Aforismo LIV

Nada é monótono por si só, tudo depende do tédio contido em si mesmo; assim como não existe algo legal por si só, tudo depende da alegria contida em ti.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Racismo ao avesso

No ônibus para a rodoviária, já sem tempo para maiores obstruções, percebo que me falta a identidade.
Procuro-a insistentemente no caminho, mas não encontro. Não dá nem pra cogitar voltar em casa para buscá-la.

Chego para pegar o ônibus, crucial para que eu pudesse trabalhar no outro dia, já que era o último (23:29h) e apresento os outros documentos com foto que possuo ao motorista: crachá da empresa, do sindicato, do plano de saúde.
Ele reluta, mas acaba me deixando ingressar no ônibus.

No meio da viagem, tive a sincera impressão que se eu fosse negro e tivesse uma cara mais enfezada, eu não teria conseguido êxito.
Arrebatou-me uma vontade sincera que, se isto fosse realmente verdade, eu também tivesse sido barrado, não obstante as deletérias consequências profissionais.

Uma dúvida e uma certeza

Das muitas dúvidas que me assolam, vem uma certeza: voltaremos para de onde viemos.
Mas ainda resta saber de onde a gente veio e para onde a gente vai.

Uma verdade individual

Eu não gostaria de me ter como inimigo.

Do que não compreendo

Uma das coisas que mais me assolam em diálogos alheios é a empáfia com que muitas pessoas jactam-se de terem agido asperamente com outras, como se isto fosse sinal de firmeza, ou valentia, não sei dizer.
É comum, é constante, parece trivial.
A priori, poder-se-ia até pensar que somente os homens, na sua eterna necessidade de demonstrarem que são muito machos o fizessem. Mas não, muitas das “delicadas” mulheres também vêm se embrenhando nestes confins malditos.

Para mim, responder agressivamente aos outros é sinal claro de arrogância e imbecilidade.
Gabar-se disto, então, é um equívoco tal que sequer consigo selecionar epíteto para classificá-lo.

Da série “dúvidas que não querem calar”

¿Não seria o livro “A Sombra do Vento” a versão espanhola de “O Nome da Rosa”?

Terceiro lar

O primeiro lar é a nossa casa, seja ela onde for, item consensual.
O segundo lar é o nosso trabalho, ao menos é o que dizem.
Nesta linha de raciocínio, posso afirmar tranquilamente que meu terceiro lar é a BR-101, a infinita highway brasileira.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

A Terra do Inexplicável

Eis que estou na Bahia, e vou ouvindo lentamente àquilo que parece ser um carro de som se aproximando. Quando passa por mim, qual não é o meu espanto ao saber que o carro na verdade era uma moto, e pior, ¡uma diminuta scooter!
Pouco tempo depois, vejo um motoboy brincando de dar cavalo de pau na areia. Com resultados previsíveis.

Não pude deixar de recordar uma constatação feita em outros tempos, quando trabalhava neste mesmo estado, e vi em muitas oportunidades, fazer um sol intenso e cair uma chuva pesada. Isto várias vezes. No mesmo dia.

A constatação: a Bahia é a Terra do Inexplicável.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Da série constatações

Pode ser considerado um mantra, um estilo, uma verdade universal, um resumo da minha vida, alguma coisa desta estirpe, o adágio que segue:
“Eu não vim ao mundo para mentir”.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Aforismo LII

A China de hoje está naquele estado da revolução dos bichos onde não há mais diferença entre porcos e homens.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Da série dúvidas

Um dia, quando já estávamos na beira do abismo, com disposição de seguir em frente, depois de muitas sombras e tormentos, ela falou:
- Você gosta de mim, mas também me odeia.
Eu neguei, é claro.
Depois, vi que ela tinha razão no que dissera.
E eu me pergunto: ¿Sempre tem que terminar assim?

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Algo em comum

É engraçado que atravessamos anos... querendo ser algo que ainda não somos.
E desta fase, passamos direto para aquele estado em que já não somos o que já fomos.
Há algo em comum em todo o tempo.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Uma pena

Foi-se acabando ao longo dos anos, os axiomas escritos nas traseiras dos caminhões. O que eu acho efetivamente uma pena.
... E no ônibus da viagem de retorno da labuta, passo por um raro caminhão que ainda ostenta um adágio:
- Não há vitória sem luta.

Eu fico pensando que para mim isto faz sentido, mas é uma pena que para alguns não faça; e calha que a covardia/alienação/omissão de outrem, implica na minha derrota.

E reflito mais detidamente na ausência das frases, na alienação, na pusilanimidade, e vou me dando conta de que quase tudo na vida é uma pena.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

São Miguel e a reintegração de posse

A reintegração de posse executada em fazendas improdutivas assemelha-se ao trabalho celeste de São Miguel, expulsando o arcanjo Lúcifer dos domínios do céu.
Assemelha-se pelo sentido arrevesado que ostenta.

Aforismo LI

Minha vida seria infinitamente mais fácil se eu fosse menos íntegro do que sou.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Da série definições

A "instituição" nada mais é do que uma criadora de dificuldades para vender facilidades.
Mas pode chamar de CREA.

terça-feira, 12 de maio de 2009

A morte e a catarse, mais uma dúvida

¿Por que as pessoas morrem?, perguntou alguém.
Ora, se no momento que seria o mais evoluído da humanidade, 1/4 do mundo passa fome, afora os que estão na miséria, afora a destruição intensa da natureza, afora tanta coisa, morrermos é quase uma catarse do planeta.

Ah, mas não necessariamente quem morre é culpado destas coisas, ¿não?
Não, ninguém é responsável por nada, eu já disse.
E, mesmo se fosse, é infinita a capacidade de arranjar justificativas para os próprios erros (a primeira de todas, é claro, é culpabilizar outrém).

Bem, o infinito compreende o ilimitável, é evidente, portanto, julgo não poder haver diferenciação de tudo que é infinito.
Pois bem, se houvesse, gostaria de saber o que é maior, sabendo que as duas coisas são infinitas:
a capacidade de arranjar justificativas ou a capacidade de se preocupar com aspectos íntimos da vida alheia.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Uma possibilidade

¿Imagine-se se Ernesto "Che" Guevara não tivesse asma?

Talvez a história de pobreza, humilhação e miséria da América Latina fosse bem outra.
Imagino-o como um "Alexandre, o Grande" sem a boiolagem.

Ou melhor, um Símon Bolívar moderno, em sua encarniçada luta contra a mesma serpente maldita.

Não posso não conceber, que de qualquer modo, ele morreria lutando.
Bravo e íntegro, como lhe competia.

Terra do Incrível

É realmente incrível que com a máfia (siciliana, camorra, o diabo que seja), a corrupção e a igreja católica, a Itália tenha conseguido se tornar um país desenvolvido.

E é ainda mais incrível que, tendo tal desenvolvimento, consiga a proeza de se enxovalhar perante o mundo e a si mesmo elegendo três vezes Silvio Burlesconi ao poder.

Vá lá entender a terra dos meus ancestrais.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Aforismo L

Sócrates legou Platão...
Platão legou Aristóteles...
Pergunta que não quer calar:
¿Aristóteles não deveria ter legado alguém?

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Os Papéis

São poucas as oportunidades
Que um homem tem na vida
De mostrar a que veio
De lutar pelo que acredita

Páginas foram viradas
Mas não apagaram a história
Dos muitos que lutaram
Para tentar nos livrar da escória

E lutaram e morreram
E sangraram e pereceram
E suaram e sofreram
E choraram e perderam
E gritaram e venceram

Antes de tudo
Sabiam o que lhes cabia
Não se omitiam das responsabilidades
Quando não se lutava, é que se morria

¿E quando se está no meio da guerra
Com soldados que não querem lutar?
¿Como fazê-los ver que sua covardia
Ainda haverá de nos mutilar?

A omissão do dia-a-dia
Sobre o bem se informar
Obstará a alquimia
De se unir, organizar

Se em alguns sobra covardia
Como se só eles sentissem medo
A outros resta galhardia
E resguardam os temores em segredo

Defronte a truculência e o autoritarismo
Resplandece forte a verdade:
Uma pessoa só luta por uma causa
Porque sabe que tem responsabilidades

Com seu país, sua gente, sua classe
E não com o chefe, com desculpas, com o capital
Sabe que a pior desgraça do mundo
É a luta insana pelo individual

E no meio do conflito
Vem o abandono e a traição
Mas também vem um forte companheirismo
E a satisfação da verdadeira união

Depuram-se os guerreiros
Os covardes vão para o seu lugar
Não se quer criar mártires
Mas homens que sabem o papel
Que na vida tem de desempenhar

Ante o deserto da covardia
E o lixo da truculência
Os bravos não estão dispostos
A pedir clemência

Que todos escutem
O que temos a falar
Aqui há homens
Que não vão se acovardar


Dedicado a todos os que cumprem e cumpriram com seus papeis, especialmente a Francisco Tojeiro, Vitor Pádua, Marcelo Bié e Élson Rattes.

P.S: Parte da letra foi censurada. Não por medo, mas só pra não queimar cartuchos em vão. Devo frisar, porém, que esta parte pode não estar postada aqui, mas existe.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

O dia em que a terra prosseguiu

Recentemente assisti o filme “O dia em que a terra parou”, uma espécie de cópia ideológica do filme “Fim dos tempos”. E, duas frases me marcaram, que gostaria de dividir aqui com vocês.
Keanu Reeves é um extra-terrestre que desembarca nos EUA (obviamente só podia ser lá, tudo nos filmes de Hollywood acontece em Manhatan).
Claro que ao chegar, o ET foi atacado pelos cândidos estadunidenses, a despeito de não ter tido nenhuma ação agressiva. Seriam os “ataques preventivos”, como os monstros ideólogos da guerra costumam alcunhá-los.

Pois bem, depois do ataque, quando Keanu começa a conversar com as pessoas, uma mulher pergunta (mais ou menos com estas palavras):
- ¿O que você veio fazer aqui?
- Vim salvar o planeta.
E, mais adiante, esta mulher fala sobre o nosso planeta, no que ele interrompe:
- ¿Nosso? ¿Quem disse que o planeta é de vocês (seres humanos)?

Corta, esta é a bela frase do filme.

Mais adiante, ele diz que deseja falar com os representantes do mundo que estão reunidos num congresso da ONU. Como é impedido de ir, insiste que necessita falar com os representantes do mundo, no que esta mesma mulher responde:
- Sou a secretária de defesa e represento o presidente dos Estados Unidos da América.

E, ouvindo aquilo, percebi que a missão Barack Obama é mais ampla e profunda do que parece. Enfrentar tanta arrogância – e arrogância sempre leva ao cadafalso, mais cedo ou mais tarde – é uma tarefa inglória e, eu diria, quase inextrincável.
George War Bush não é um ponto fora da curva, é um produto criado por este tipo de ótica, que permeia enormemente tal país.

Por alguma clarividência de quem fez o filme, o ET não julga que falar com o representante dos EUA signifique falar com o mundo.

Palmas ao ET.
Pela nossa imprensa gorda, pelos partidos políticos da direita (PSDB e Demos), por exemplo, bastaria.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Aforismo XLVI

Quando Nicolau Maquiavel afirmou em sua obra que era preferível aos governantes serem temidos que amados, o autor, talvez sem saber, esbarrou num dos principais paradigmas religiosos.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Sobre o aliado bomba e a ignorância

1 - Imagine-se que o Brasil tornasse a ser colônia de Portugal.

2 – Em outra ponta, muitos crimes são cometidos dentro do território espanhol e em países próximos contra argentinos. Argentina, como a conhecemos, não existia. Os argentinos não tinham país há muitos e muitos séculos, tendo sido reduzidos a um povo sem pátria, vivendo em muitas nações, sofrendo preconceitos e toda sorte de maldades em vários deles.

3 – Depois de muito sofrimento, os argentinos são libertados de sua dor. Porém, ninguém os quer. Por isto, a Inglaterra, os EUA e a ONU os mandam para o Brasil. O Brasil deixa de ser colônia, mas vê amputado seu território, pois, segundo argumento alegado, mais de mil e quinhentos anos atrás (quando sequer havia países como conhecemos hoje), os argentinos viveram aqui, em nossa terra.

4 - Por que não criar um território lá, onde os argentinos viviam, por que aqui?

5 – Não aceitando o fato, os brasileiros, apoiados pelos vizinhos sul-americanos, decidem lutar contra a Argentina que foi criada sobre o Brasil. Porém, os EUA apóiam militarmente a Argentina e, ela não só vence, como toma parte dos territórios da Bolívia, do Peru, e toma a maior parte do Brasil. Nossa pátria fica reduzida aos estados de Rondônia e Sergipe. Como sabemos, Rondônia e Sergipe sequer têm fronteiras entre si. Ou seja, as partes restantes do nosso país ainda ficam separadas. A Argentina no meio, tendo conquistado militarmente um território muito maior do que fora “benevolamente” “doado” pela ONU.

5 – Como não poderia deixar de ser, grande parte da população brasileira ficou no que passou a ser a Argentina. Nestes lugares, numa terra que é sua, onde propriamente nasceram, os brasileiros passam a sofrer todo o tipo de humilhações: são tratados como sub-raça, têm os piores empregos, são maltratados pelo exército argentino, não tem um país que possam chamar de seu, etc., e são abandonados pela comunidade internacional, mais preocupada com os “inquestionáveis” interesses argentinos.

6 – Como era de se esperar, alguns bravos brasileiros insurgem-se contra estas iniquidades. Passam a lutar, com as armas que possuem contra a Argentina, para defender o Brasil.

Pergunto:
¿Os combatentes brasileiros poderiam ser chamados de terroristas?
¿Eles não seriam frutos das circunstâncias a que estão sendo submetidos?
¿Um patriota agiria diferente disto?

Concatenando à nossa triste realidade: ¿como, ter integridade e não tomar partido a favor da Palestina?
Cito Saramago: “Israel quer que nos sintamos culpados, todos nós, directa ou indirectamente, dos horrores do Holocausto, Israel quer que renunciemos ao mais elementar juízo crítico e nos transformemos em dócil eco da sua vontade, Israel quer que reconheçamos de jure o que para eles é já um exercício de facto: a impunidade absoluta. Do ponto de vista dos judeus, Israel não poderá nunca ser submetido a julgamento, uma vez que foi torturado, gaseado e queimado em Auschwitz. Pergunto-me se esses judeus que morreram nos campos de concentração nazis, esses que foram trucidados nos pogromes, esses que apodreceram nos guetos, pergunto-me se essa imensa multidão de infelizes não sentiria vergonha pelos actos infames que os seus descendentes vêm cometendo. Pergunto-me se o facto de terem sofrido tanto não seria a melhor causa para não fazerem sofrer os outros.(...) Ah, sim, as horrendas matanças de civis causadas pelos terroristas suicidas… Horrendas, sim, sem dúvida, condenáveis, sim, sem dúvida, mas Israel ainda terá muito que aprender se não é capaz de compreender as razões que podem levar um ser humano a transformar-se numa bomba”.

Desde Harry Truman, este câncer que assolou os EUA, este país alterou lobregamente sua política externa (com uma leve amenização no governo Carter), passando a não só a avalizar, como apoiar militarmente Israel em tudo o que este país intencionasse fazer, independente da causa e dos motivos.

Carece perguntar, singelamente, se realmente vale a pena ter um país, qualquer país, como aliado, se sabemos que ele destrói todos os princípios que nós dizemos (ou pretendemos) observar.
Os nossos próprios princípios se escoam quando nos omitimos perante tais atitudes, quando avalizamos tais atitudes, que dirá de quando apoiamos maciçamente tais atitudes... E, isto tudo, pelo singelo preço de... termos um aliado.
¿Vale a pena?
É uma pergunta, relevante pergunta, em qualquer tipo de aliança que se faça em política (perdoem-me, escuso-me aqui de tratar do PMDB).


Voltando a pergunta 4: por que não criar um território lá, onde os israelenses viviam, por que em cima da Palestina?
Porque, justificam eles, este é o território sagrado, dos israelitas, deste povo, “escolhido de Deus”, segundo diversas passagens da bíblia.
Muito me espanta que todo um povo possa sentir-se melhor do que outro, argumentando que Deus o prefere, o escolheu, sabe-se lá por quais razões.
Eu, cá com minha ignorância religiosa, a despeito da Bíblia dizer o oposto, sempre julguei que o Pai Celestial tivesse mais apreço pela humanidade como um todo, e não especificamente por alguns terem, pelo acaso do destino, nascido em determinado lugar. Pode-se ter, dependendo do tipo de crença, a convicção de que Deus nos escolheu especificamente para certo lugar. Tudo bem, pode ser uma opinião válida, vai saber. Porém, tanto se nascemos onde nascemos pelos desígnios insondáveis do destino, quanto pelo desejo específico de Deus, em qualquer uma das formas, não tivemos controle nenhum sobre tal feito, donde, ¿como poderíamos ser culpados, ou abençoados, por tal acontecimento?
¿Que mente brilhante pode chegar a conclusão de que se é “escolhido de Deus” por simplesmente ter nascido em determinado lugar?
Estas perguntas denotam para os judeus e para os cristãos uma evidência incontrastável da ignorância deste que escreve, é claro.
Como todos aqueles que ousam criticar Israel, de acordo com eles, são anti-semitas, julgo que acabarão por me incluir como partidário dos nazistas.
Logo eu, que sou comunista, o que é, em outros termos, ser exatamente o avesso de um nazista.
Mas tudo bem, ¿fazer o que?
Não há argumentos contra a imbecilidade e/ou o fanatismo.