sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

O dia em que a terra prosseguiu

Recentemente assisti o filme “O dia em que a terra parou”, uma espécie de cópia ideológica do filme “Fim dos tempos”. E, duas frases me marcaram, que gostaria de dividir aqui com vocês.
Keanu Reeves é um extra-terrestre que desembarca nos EUA (obviamente só podia ser lá, tudo nos filmes de Hollywood acontece em Manhatan).
Claro que ao chegar, o ET foi atacado pelos cândidos estadunidenses, a despeito de não ter tido nenhuma ação agressiva. Seriam os “ataques preventivos”, como os monstros ideólogos da guerra costumam alcunhá-los.

Pois bem, depois do ataque, quando Keanu começa a conversar com as pessoas, uma mulher pergunta (mais ou menos com estas palavras):
- ¿O que você veio fazer aqui?
- Vim salvar o planeta.
E, mais adiante, esta mulher fala sobre o nosso planeta, no que ele interrompe:
- ¿Nosso? ¿Quem disse que o planeta é de vocês (seres humanos)?

Corta, esta é a bela frase do filme.

Mais adiante, ele diz que deseja falar com os representantes do mundo que estão reunidos num congresso da ONU. Como é impedido de ir, insiste que necessita falar com os representantes do mundo, no que esta mesma mulher responde:
- Sou a secretária de defesa e represento o presidente dos Estados Unidos da América.

E, ouvindo aquilo, percebi que a missão Barack Obama é mais ampla e profunda do que parece. Enfrentar tanta arrogância – e arrogância sempre leva ao cadafalso, mais cedo ou mais tarde – é uma tarefa inglória e, eu diria, quase inextrincável.
George War Bush não é um ponto fora da curva, é um produto criado por este tipo de ótica, que permeia enormemente tal país.

Por alguma clarividência de quem fez o filme, o ET não julga que falar com o representante dos EUA signifique falar com o mundo.

Palmas ao ET.
Pela nossa imprensa gorda, pelos partidos políticos da direita (PSDB e Demos), por exemplo, bastaria.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Aforismo XLVI

Quando Nicolau Maquiavel afirmou em sua obra que era preferível aos governantes serem temidos que amados, o autor, talvez sem saber, esbarrou num dos principais paradigmas religiosos.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Sobre o aliado bomba e a ignorância

1 - Imagine-se que o Brasil tornasse a ser colônia de Portugal.

2 – Em outra ponta, muitos crimes são cometidos dentro do território espanhol e em países próximos contra argentinos. Argentina, como a conhecemos, não existia. Os argentinos não tinham país há muitos e muitos séculos, tendo sido reduzidos a um povo sem pátria, vivendo em muitas nações, sofrendo preconceitos e toda sorte de maldades em vários deles.

3 – Depois de muito sofrimento, os argentinos são libertados de sua dor. Porém, ninguém os quer. Por isto, a Inglaterra, os EUA e a ONU os mandam para o Brasil. O Brasil deixa de ser colônia, mas vê amputado seu território, pois, segundo argumento alegado, mais de mil e quinhentos anos atrás (quando sequer havia países como conhecemos hoje), os argentinos viveram aqui, em nossa terra.

4 - Por que não criar um território lá, onde os argentinos viviam, por que aqui?

5 – Não aceitando o fato, os brasileiros, apoiados pelos vizinhos sul-americanos, decidem lutar contra a Argentina que foi criada sobre o Brasil. Porém, os EUA apóiam militarmente a Argentina e, ela não só vence, como toma parte dos territórios da Bolívia, do Peru, e toma a maior parte do Brasil. Nossa pátria fica reduzida aos estados de Rondônia e Sergipe. Como sabemos, Rondônia e Sergipe sequer têm fronteiras entre si. Ou seja, as partes restantes do nosso país ainda ficam separadas. A Argentina no meio, tendo conquistado militarmente um território muito maior do que fora “benevolamente” “doado” pela ONU.

5 – Como não poderia deixar de ser, grande parte da população brasileira ficou no que passou a ser a Argentina. Nestes lugares, numa terra que é sua, onde propriamente nasceram, os brasileiros passam a sofrer todo o tipo de humilhações: são tratados como sub-raça, têm os piores empregos, são maltratados pelo exército argentino, não tem um país que possam chamar de seu, etc., e são abandonados pela comunidade internacional, mais preocupada com os “inquestionáveis” interesses argentinos.

6 – Como era de se esperar, alguns bravos brasileiros insurgem-se contra estas iniquidades. Passam a lutar, com as armas que possuem contra a Argentina, para defender o Brasil.

Pergunto:
¿Os combatentes brasileiros poderiam ser chamados de terroristas?
¿Eles não seriam frutos das circunstâncias a que estão sendo submetidos?
¿Um patriota agiria diferente disto?

Concatenando à nossa triste realidade: ¿como, ter integridade e não tomar partido a favor da Palestina?
Cito Saramago: “Israel quer que nos sintamos culpados, todos nós, directa ou indirectamente, dos horrores do Holocausto, Israel quer que renunciemos ao mais elementar juízo crítico e nos transformemos em dócil eco da sua vontade, Israel quer que reconheçamos de jure o que para eles é já um exercício de facto: a impunidade absoluta. Do ponto de vista dos judeus, Israel não poderá nunca ser submetido a julgamento, uma vez que foi torturado, gaseado e queimado em Auschwitz. Pergunto-me se esses judeus que morreram nos campos de concentração nazis, esses que foram trucidados nos pogromes, esses que apodreceram nos guetos, pergunto-me se essa imensa multidão de infelizes não sentiria vergonha pelos actos infames que os seus descendentes vêm cometendo. Pergunto-me se o facto de terem sofrido tanto não seria a melhor causa para não fazerem sofrer os outros.(...) Ah, sim, as horrendas matanças de civis causadas pelos terroristas suicidas… Horrendas, sim, sem dúvida, condenáveis, sim, sem dúvida, mas Israel ainda terá muito que aprender se não é capaz de compreender as razões que podem levar um ser humano a transformar-se numa bomba”.

Desde Harry Truman, este câncer que assolou os EUA, este país alterou lobregamente sua política externa (com uma leve amenização no governo Carter), passando a não só a avalizar, como apoiar militarmente Israel em tudo o que este país intencionasse fazer, independente da causa e dos motivos.

Carece perguntar, singelamente, se realmente vale a pena ter um país, qualquer país, como aliado, se sabemos que ele destrói todos os princípios que nós dizemos (ou pretendemos) observar.
Os nossos próprios princípios se escoam quando nos omitimos perante tais atitudes, quando avalizamos tais atitudes, que dirá de quando apoiamos maciçamente tais atitudes... E, isto tudo, pelo singelo preço de... termos um aliado.
¿Vale a pena?
É uma pergunta, relevante pergunta, em qualquer tipo de aliança que se faça em política (perdoem-me, escuso-me aqui de tratar do PMDB).


Voltando a pergunta 4: por que não criar um território lá, onde os israelenses viviam, por que em cima da Palestina?
Porque, justificam eles, este é o território sagrado, dos israelitas, deste povo, “escolhido de Deus”, segundo diversas passagens da bíblia.
Muito me espanta que todo um povo possa sentir-se melhor do que outro, argumentando que Deus o prefere, o escolheu, sabe-se lá por quais razões.
Eu, cá com minha ignorância religiosa, a despeito da Bíblia dizer o oposto, sempre julguei que o Pai Celestial tivesse mais apreço pela humanidade como um todo, e não especificamente por alguns terem, pelo acaso do destino, nascido em determinado lugar. Pode-se ter, dependendo do tipo de crença, a convicção de que Deus nos escolheu especificamente para certo lugar. Tudo bem, pode ser uma opinião válida, vai saber. Porém, tanto se nascemos onde nascemos pelos desígnios insondáveis do destino, quanto pelo desejo específico de Deus, em qualquer uma das formas, não tivemos controle nenhum sobre tal feito, donde, ¿como poderíamos ser culpados, ou abençoados, por tal acontecimento?
¿Que mente brilhante pode chegar a conclusão de que se é “escolhido de Deus” por simplesmente ter nascido em determinado lugar?
Estas perguntas denotam para os judeus e para os cristãos uma evidência incontrastável da ignorância deste que escreve, é claro.
Como todos aqueles que ousam criticar Israel, de acordo com eles, são anti-semitas, julgo que acabarão por me incluir como partidário dos nazistas.
Logo eu, que sou comunista, o que é, em outros termos, ser exatamente o avesso de um nazista.
Mas tudo bem, ¿fazer o que?
Não há argumentos contra a imbecilidade e/ou o fanatismo.

domingo, 28 de dezembro de 2008

Quase dois aforismos

Não ingresso numa luta pela certeza da vitória, mas pela justiça da causa.
Não é pra me tornar um herói. É somente pra dormir em paz.

P.S: Esta ideia foi exposta no presente. Acredito que no pretérito, bem caberia como epitáfio.

O silêncio como resposta

Estava eu andando pela minha rua, passo por uma igreja minúscula, onde um pastor fala em um microfone. É claro, não cabe rezar, tem que gritar, tem que estrondar, tem que atordoar, tem que fazer com que o som chegue literalmente aos céus, como se Deus fosse surdo.

E, enquanto andava, ouvi as palavras do pastor, não exatamente estas, mas com este sentido:
- Esta noite, Deus me deu autoridade para estar aqui e promover a cura.
Tratava de doenças, pelo resto das palavras que captei.

E, perante a tamanha ignorância, de quem falava e especialmente, de quem escutava candidamente, eu não soube o que dizer.

Dúvida cruel

¿Onde o Vingador, do desenho Caverna do Dragão, perdeu um dos chifres?

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Ainda sem perdão

Bem, tenho de admitir. Os últimos três filmes que assisti com Leonardo Di Caprio foram muito bons: Os Infiltrados, Diamante de Sangue e Rede de Mentiras.

Entretanto, ele ainda não está perdoado por causa de Titanic.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Pétalas ensanguentadas

¿Como se segue uma sina
Senão seguindo os cromossomos?
¿Como tudo sempre termina
Senão deplorando o que somos?

¿Faz sentido numa roda qualquer
Falar sobre o que bate tão fundo?
Haverá espaço para reclamar
Mas não é assim que se muda o mundo

Caem pétalas ensangüentadas
Fingimos que não vimos nada
As lágrimas secam nas cidades
Só voltando a marejar em avançada idade

A laboriosa luta de um povo
Pode ser singelamente desprezada
O descoco dos ignotos
Vampiros da massa explorada

Quando o rio não chega ao mar
O mar chega até o rio
Por mais que tenhamos sede
Sempre a desculpa do estio

¿Se estamos no cativeiro
Onde encontraremos harmonia?
¿Sobre caudaloso chuveiro?
¿Nos olhos de uma guria?

Inconclusas respostas
Sempre com um porém
Sabemos que cumprimos ordem
Sem saber de onde elas vêm

Mil e um alvos perto de você
Mil pessoas ao seu redor
Não há jogo sem um a perder
Não há cadeia que possa ser maior

Mesmo que nada temas
Há uma sombra te perseguindo
Cabe a nós nos livrarmos das algemas
E atacar quem sempre esteve rindo

Não da própria desgraça
Mas da miséria alheia
Vivendo em outro mundo
Sem ver que tudo em volta incendeia

Diariamente vão nos dizendo
Que é isto a que temos direito
Mas há algo que estão escondendo
Temem que façamos o que deve ser feito

Por mais que sentem sobre as cinzas de tantos
Supondo que sempre seremos otários
Não me basta só o olhar da guria
Só me saciará a vitória dos proletários

Aforismo XLIII

Quem nos dera que plutocracia fosse o regime de governo no qual o poder emana do cachorro do Mickey.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Doce engano

Eis que em alguma promoção qualquer, meses atrás, compro um livro que tem mais de três milhões de cópias, “O Guardião de Memórias”. Ressabiado com grandes números de vendas como referência, tentando me esquecer da leitura de “O Código Da Vinci”, acabo temendo pelo pior.

Como já foi dito, os livros de auto-ajuda resolvem todos os seus problemas enquanto você os está lendo, e nenhum quando você termina de ler. São mais ou menos o axé, o pagode, o funk da literatura. Não é à toa que vendem mais.

E quando abro o “Guardião”, pulula um folheto colorido de outras obras que fecham o ciclo do meu temor.
Não sei se sou capaz de demonstrar claramente o que quero dizer, talvez o título das obras também faça o leitor me compreender.

“Peça e será atendido”, “Você é o líder da sua vida”, “O motorista e o milionário – uma história sobre as escolhas que nos levam ao sucesso ou ao fracasso”, “Fique mais jovem a cada ano”, “Abrace seus clientes”, “Desenvolva sua inteligência emocional”, “O sucesso é mais simples do que você pensa”, “O que aprendi com meu carteiro sobre o trabalho e a vida”, “Amigos de verdade” (na capa um cão e um gato), “O monge e o executivo – uma história sobre a essência da liderança”, “Transformando suor em ouro”, “O que toda mulher inteligente deve saber”, “Jesus, o maior psicólogo que já existiu”, “Os segredos da mente milionária”, “Como se tornar um líder servidor”, “Por que os homens fazem sexo e as mulheres fazem amor?”, “Como conquistar as pessoas”, “Desvendando os segredos da linguagem corporal”, “Dez leis para ser feliz”, “Seja líder de si mesmo”, “Jesus, o maior líder que já existiu”, “O poder da paciência”, “Por que os homens mentem e as mulheres choram?”, “Não leve a vida tão a sério”, “Enquanto o amor não vem”, “O poder do agora”, “As regras do trabalho”, “As cinco pessoas que você encontra no céu”, “A última grande lição – o sentido da vida”, “Como se tornar mais organizado e produtivo”, “Networking: desenvolva sua carreira criando bons relacionamentos”, alguns livros de Dan Brown (autor que, como já disse, tive o desprazer de ler) e muitos livros de Augusto Cury (autor que jamais terei o desprazer de ler).

Prestes a pedir uma sacola de vômito, escondo o encarte dentro do livro e começo a lê-lo com uma orelha atrás da pulga.
E para minha surpresa... a obra é muito boa! Com uma atmosfera ora tensa, ora triste (como parece ser moda).

Bem que eu queria ter doces enganos como este mais vezes.
Não é tão comum, infelizmente.

Aforismo XLII

¿O que é um keynesiano, senão um marxista covarde?

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

As cobras

Os policiais militares continuamente se voltam contra o próprio povo do qual fazem parte.
Assemelham-se demasiado aos antigos capitães de mato que, apesar de negros, caçavam, maltratavam e humilhavam os da sua cor.

É como uma cobra que devora o próprio rabo.

Que sina.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Verdades mal explicadas

Gosto de teclar por aqui, uma das coisas que agrada é o fato de várias pessoas terem autonomia para escrever – a despeito de poucas efetivamente escreverem –, o que impede que o blog vire um diário.
Já uma coisa da qual não gosto é o título do blog. Não gosto simplesmente porque não cabe ao que escrevo.
Porém, mudar o título sem mudar o endereço é contraproducente, sair daqui também não quero... Enfim, estacionei na inconformidade.

Só criticar não basta, é claro, é preciso contribuir com sugestões.
Se eu tivesse construído o blog, poderia, para antagonizar o nome atual, escolher “Verdades mal explicadas”.

Sobre o pior

Muitas vezes leio, ou vejo, pessoas dizendo que George War Bush é o pior presidente da história dos Estados Unidos.
Com certeza seu governo é uma excrescência, mas quem afirma que é o pior, deveria procurar saber mais sobre Harry Truman, o pai da Guerra Fria, das bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki, e de tantas outras sandices.
Não dá nem pra comparar.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Placa de Petri

A melhor metáfora que posso conceber para a crise financeira atual é a da Placa de Petri.
Neste material, colônias de bactérias crescem exponencialmente até esgotarem o suprimento alimentar e literalmente afogarem-se em suas próprias excreções.

É o resumo cabal do que os especuladores globais estão vivendo.

Pergunta aos hermanos

A Argentina tem como novo treinador de sua seleção de futebol o inefável Diego Maradona. Pergunta que não quer calar: e se houver exame de doping para técnicos?

domingo, 26 de outubro de 2008

Da série constatações

Faço de tudo para que o mínimo possível de coisas me irrite, faz bem à própria saúde e também a dos outros.

Mas, claro, sempre há o que não deixa de incomodar.
E, uma destas coisas, é a tal expressão “forró pé-de-serra”. Ainda mais quando vem colado com uma suposta autenticidade: “o verdadeiro forró pé-de-serra”.

Que excrescência.

Pois bem, não poderia deixar de afirmar que, para mim, o “verdadeiro forró pé-de-serra”, e o “pseudo forró pé-de-serra” são uma bela bosta.

Idéias

I - A escrita deveria seguir como se fala. Tem som de “z”, escreve-se com “z”. Tem som de “x”, escreve-se com “x”. Extinga-se este aborto da natureza que é a cedilha. Já que nenhuma palavra começa com esta letra, poderíamos também determinar que nenhuma a tivesse no meio, tampouco no fim. Extinga-se “ch” com som de “x” (“cachorro”), “s” com som de “z” (“mesa”), etc. Ah, não tenho muita convicção a respeito das palavras com som de “s”. Por exemplo, “osso”. Mas, acho que bastaria apenas um s, mesmo.

II – Acabar com prescrição de penas. Ora, se um meliante cometeu um crime, por que o tempo que permaneceu fora da cadeia pode contar como atenuante? Não seria o tempo que passasse dentro da cadeia que deveria contar? Ao contrário, na medida em que um meliante não presta contas à sociedade, ou foge, ou utiliza os mais de mil e um recursos que as leis permitem para atrasar processos, sua dívida para com a sociedade aumenta, e não diminui! Desta maneira, proponho o fim da prescrição em qualquer caso.

III – Para completar a idéia anterior, acredito que a cada recurso protelatório (eu sei que é um pleonasmo, todo recurso calha de ser protelatório) deveria se aumentar a pena em algum percentual. Imagino que no mínimo 10%.
Por quê? Ora, se uma pessoa ingressa com recursos, e eles vão sendo gradativamente negados pela justiça, ao fim do processo, a justiça terá muito mais convicção, muito mais base nos fatos para decretar uma pena maior do que até então daria.
Afora o fato de se somar à idéia número 2 e, ser um impeditivo para que os intermináveis recursos sejam impetrados.
E, esta idéia valeria como um todo. 10 anos de cadeia, ingressou com um recurso, vai pra 11 se for condenado. Entrou com outro recurso, vai a 12,1 anos. Mais um, vai a 13, 3 anos. Se for uma briga por recursos financeiros, a mesma coisa. Pagaria 10 mil reais, ingressou com um recurso, vai a 11.... e assim sucessivamente.

IV – Jogos de futebol devem ter tempo contado como os de futsal, em que o tempo pára quando o jogo é paralisado. Em média, um tempo tem cerca de 30 minutos de bola rolando. Então, que se fixe este valor. Aí, nenhum time ficaria catimbando, enrolando ao máximo quando algum placar o favorece, o que tira muito do prazer e da justiça de certas partidas.

V – As prorrogações dos jogos de futebol seriam extintas. 90 minutos de jogo (afora os acréscimos) é muito tempo. Mesmo reduzindo aos 60 de bola rolando, conforme idéia anterior, ainda assim seria muito tempo. O que tinha pra ter acontecido num jogo tão grande, já aconteceu. Vamos aos pênaltis, que são sempre emocionantes.

VI – As contribuições previdenciárias das empresas deveriam considerar seu faturamento, e não só a quantidade de funcionários que lá trabalham. Isto oneraria menos quem emprega. Se não dá pra subsidiar todos, que se subsidiem os que empregam mais proletários.

VII – Deveriam ser equitativamente repartidos os dividendos entre os acionistas (ou donos de empresas) e entre os trabalhadores que efetivamente geraram este lucro quando as empresas tivessem um lucro líquido que superasse determinado valor. Imagino que 1 milhão de reais. Sobre os dividendos pagos aos empregados, seria um mesmo valor para todos.

VIII – Voltar-se-ia à CPMF (imposto dos ricos), se possível com alíquota maior, talvez 0,5%, e se daria o mesmo desconto no Imposto de Renda (que deveria afetar os ricos, mas não o faz). Seriam retiradas as possibilidades de deduções do IR. Com o aumento de arrecadação obtido com o fim das deduções, novamente se daria desconto para todos os que pagam IR.

IX – Voltar-se-ia a cobrar IR dos ESPECULADORES estrangeiros que compram títulos do governo e NÃO PAGAM IR. Esta foi uma das piores (senão a pior) decisões do governo Lula. É evidente, por ser terrível, foi diligentemente aplaudida por todos os grandes jornais. Quem tomou a decisão de não cobrar IR dos especuladores (¡tadinho deles!) foi o Ministro Palocci – um ministro de direita, como é sabido.

X – Para se jogar futebol na seleção brasileira, os jogadores deveriam permanecer jogando cá por estas plagas.
Ora, a seleção de um país se compõe de pessoas que representam toda a população. E quem se sente representado pelos nababos que ganham milhões, se rodeiam de loiras e puxa-sacos, se perdem com tanto dinheiro, distanciam-se totalmente do nosso povo e da nossa gente, vivendo uma vida totalmente diferente da nossa situação, cheia de luxos desnecessários, frivolidades e eventualmente um ou outro travesti mostrando a verdadeira faceta dos “donos da bola”, quem pode se sentir representado por estes?

Os jogadores deveriam permanecer no Brasil, para saber como estamos. Em ficando aqui, mais pessoas do nosso próprio país se interessariam por futebol (já que o nível do jogo melhoraria), mais pessoas de outros países se interessariam pelo futebol de clubes que é praticado aqui (aumentando a fonte de renda dos clubes com a transmissão a vários países, por exemplo) e, por fim, a própria seleção melhoraria seu futebol, afinal, os jogadores tenderiam a eventualmente se esbarrar, eventualmente jogar no mesmo time, melhorando o tal entrosamento que tanto serve de justificativa para o desempenho nem tão brilhante da seleção. E não como é hoje, uns vivem no Brasil (reservas, é claro), uns na Itália, outros na Espanha, outros na Inglaterra, etc.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Quem me dera

No dia que antecede uma viagem de ônibus noturna, costumo intencionalmente dormir mal, com vistas a chegar cansado para a viagem e adormecer mais facilmente. O problema é que nem sempre dá certo, às vezes fico extremamente cansado e não consigo apagar.
Tenho severas dificuldades com o sono, desde que era criança. O único período da vida em que não tive insônia foi numa época lôbrega em que dormia cerca de 5 horas por dia. Neste período tive insônia poucas vezes.
Mas não era disto que eu queria falar.

Depois de dormir mal, poucas horas, mal acomodado, sem ninguém ao lado (o que, convenhamos, num ônibus é até melhor), estou na rodoviária de Macaé, este recanto maravilhoso do planeta Terra.
Com sono, dor de cabeça e mal-humorado, procuro um banco onde ninguém durma – uma das muitas proezas do petróleo é a desigualdade social, Nigéria, Venezuela e outros países do Oriente Médio estão aí de prova – e, se possível, onde não haja nenhum fumante.
Mas não era das proezas de Macaé ou do petróleo que eu queria falar.

Sensabor como estava, abri a bolsa e fui ler, o que normalmente não gosto de fazer quando estou neste estado decrépito.
Eu estava com um Saramago na bolsa, “As pequenas memórias”.
Acredito que o momento em que estamos mais aptos para ouvirmos música seja na adolescência, onde se consolidam muitas coisas na vida (os nossos melhores amigos, por exemplo) e, creio que seja ali que escolhemos as bandas que serão as nossas favoritas para o resto de nossos dias.
Mesmo que nosso gosto musical venha a mudar, nunca gostaremos tanto quanto gostamos das músicas que ouvimos de quando éramos os nem tão inocentes adolescentes.
Mas não era disto que eu queria falar.

Com relação à literatura, já não tenho tal convicção. A leitura é algo mais complexo, e, não creio que haja alguma cronologia lógica em que estejamos mais ou menos acessíveis para o sabor dos livros.
Há, sim, momentos em nossas vidas em que estamos mais ou menos aptos, mas isto por problemas nossos, e não por estar em determinada fase da vida, como na adolescência.
Mas não era disto que eu queria falar.

Eu queria falar que, não estando em fase da vida mais ou menos apta a literatura, posso afirmar com isenção: quem me dera algum dia ter a visão, a inteligência e a sabedoria de uma pessoa como José de Souza Saramago.
Feliz é o mundo que possui uma pessoa como esta.

Nem tão bom para o mundo é o fato de pessoas como Saramago (ou G.G Márquez, por exemplo) estarem já se despedindo, dado o avançar da idade.
Não faz (tanto) mal. O que escreveram é eterno.
E, se Deus quiser, ainda nos encontraremos em outra dimensão, a despeito da (des)crença do mestre português.
A sua generosidade é tanta, que tenho certeza que o Pai Celestial os receberá de braços abertos. Até porque, o céu ficaria menos bonito sem o seu altruísmo, sua inteligência e a sua lucidez.

Aforismo XL

Acho realmente uma boiolice este negócio de “tenho que ir fazer o número dois”. Pois eu, digo aos quatro ventos: ¡Eu vou é cagar!



P.S: A boiolice nada tem a ver com o homossexualismo.

Aforismo XXXIX

UM DOS muitos problemas de ser chefe, é que você tem um poder muito maior para prejudicar do que para beneficiar seus subordinados.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Assassino em massa

Às vezes observo as discussões acerca da utilização de células tronco, e suas implicações sobre sua utilização, tendo em vista que os cientistas argumentam que não o fazem com seres vivos (mesmo não havendo consenso quanto ao momento exato do início da vida, grande parte dos cientistas acredita que o marco inicial da vida ocorre depois dos primeiros 14 dias de nascimento, pois é quando começa a formação do nosso sistema nervoso. Chegou-se a esta conclusão pelo sentido inverso, pois uma pessoa só é considerada morta quando o seu cérebro pára de funcionar).
Já outras pessoas acreditam que o início da vida, seja de quando da concepção, no momento da entrada do espermatozóide no óvulo.
Porém, às vezes vejo algumas partes deste debate, inflamados pelo radicalismo religioso, defenderem agressivamente que o início da vida é tão próximo do fim do ato sexual, mas tão próximo, que reflito que falta pouco para estes me chamarem de assassino por bater e ter batido minhas punhetas.

Pra evitar chororô

Dada a infinita misericórdia divina, pode-se inferir que o Senhor criará paraísos conforme cada povo julga que ele o é. Criará o Paraíso com as virgens para os muçulmanos, o nosso Paraíso, os Elíseos dos gregos, o Nirvana dos budistas, a Iluminação dos espíritas, o Valhalla dos vikings, etc., para que todos pensem que estavam certos e os outros, errados – a glória para muitos dos religiosos fervorosos.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Dele nascido, para ele direcionado

Vento sul assola o Espírito Santo, garoa, pego um ônibus para o terminal Dom Bosco. No terminal sento ao lado de uma mãe e um filho – este com cerca de seis anos. A criança brinca com a mãe, interage com o ambiente, mesmo sentada no banco. A mãe, inversamente proporcional a alegria e aos gestos até mesmo bastante contidos do garoto, o esmurra, o agride e grita com ele o tempo todo, como se o mesmo estivesse fazendo muita bagunça.
Estávamos sentados no mesmo banco, e aquela cena me incomodava muito. O ônibus demorava bastante, e a mãe continuava a esmurrar o garoto. Para meu espanto, a criança não chorava, tampouco se deprimia com os gestos desatinados da mãe. Ao contrário. O garoto continuava com uma alegria incontida, se divertindo, chamando a mãe para brincar, como se ela realmente não estivesse fazendo nada. Fiquei pensando, naquela cena, nos longos minutos que escorriam. Pensei, que em algum momento, mesmo àquela imensa alegria, àquele imenso prazer em brincar, iria se esmorecer. E, em algum momento, àquela criança, já cansada de apanhar, iria – mesmo sem saber – querer vingança. Não seria contra a mãe. Seria contra a sociedade como um todo. Sociedade que não deu a ela direitos, só deveres, que não deu amor, que não deu carinho, que não deu compreensão. Ao contrário. Só punição e rancor.
E eu pensei, que àquele garoto, com toda aquela alegria, que só queria brincar, quando grande, ainda viraria um pária. Viraria um bandido qualquer, um assaltante qualquer, um assassino qualquer. E, por conseguinte, vão querer a cabeça dele. Vão querer prisão perpétua. Vão querer pena de morte. E eu pensei, que ele era apenas um dado rolando no meio do destino, com muito menos poder de interferência na própria vida do que parece, pois, àqueles murros que lhe eram dados em tão pequena idade, vão marcar pra sempre, estarão no subconsciente daquele garoto, não haverá nada que os tire de lá.
Que destino, pensei. É a cadeia, é a morte, e havia tanta alegria, obstinada alegria.
Estava sinceramente magoado com a mãe, muito, mesmo, e tentava não olhar para a cena que ocorria ao meu lado. De qualquer forma, seus berros ensandecidos perscrutavam a todo o momento os mais recônditos cantos dos meus ouvidos e sair dali seria deliberadamente fugir – coisa que não me apetece em todos os casos, comumente só em um ou outro relacionamento.
Tentei olhar para ela sério, para tentar desanimá-la do que fazia. Foi quando encarei de verdade seu rosto. É engraçado, a gente vai passando pelas pessoas, tantas pessoas, e na verdade não vê nenhuma. Foi quando me dei conta de que a mãe era muito nova. Devia ter uns 20, 21 anos. E eu, que tentava aplacar minha raiva contra ela, me dei conta de que ela deve ter sido mãe com uns 14 ou 15 anos. E pensei como deveria ter sido o pai dela, se é que ela o conheceu. E, percebi como era fácil sentir misericórdia do garotinho que pode virar bandido, já que ele é tão pequeno e indefeso, mas é difícil sentir daquela que, se talvez não se tornou meliante, também não conseguiu montar uma família, não conseguiu prover o seu filho dos cuidados e do amor que ele merecia. Não passava amor para frente, talvez porque também não o houvesse recebido. Era bastante fácil culpá-la, como será bastante fácil culpar o futuro bandido, ou futuro bêbado ou futuro pai irresponsável que está sendo criado ali.

E eu, pensei sobre ter filhos, esta coisa louca, tanta responsabilidade, tantos traumas e coisas mal resolvidas em nós que passamos adiante, para eles, que sequer tem forças para suportar tal peso.
Como não pretendo ter filhos, me aliviei com a sensação de que não passaria minhas coisas ruins adiante. Morrerão comigo.

O ônibus demorou tanto, que percebi que era inútil tentar ir a aula de inglês que almejava, perderia mais da metade da aula, mudei de fila para pegar o ônibus de volta. Eram tantas as filas e tão longas, que entrei na grande serpente errada. Nesta, observei um rapaz em fila próxima, de cabelo raspado, tinha um corte formato de desenho em parte do cabelo mais ou menos deste jeito: l/l/l/l/l/, que circundava todo o seu crânio. E ele, de repente, se virou para trás, e ofereceu alguns pacotes de amendoim para os que estavam atrás dele. Normalmente um real compra alguns pacotes, ele pegou um pra ele e oferecia os outros para estranhos.
E, ali, naquela garoa fria e naquele vento forte, no meio de uma fila enorme, no meio de tantos traumas e alegrias, no meio do egoísmo e da dor, também havia altruísmo, sem nenhum compromisso, apenas o de proporcionar a alegria a um desconhecido. Ali, naquele momento, no meio da rua, no meio do povo, eu me senti em casa. Ali, naquele lugar, eu estava onde deveria estar.
Quando consegui ingressar no ônibus de volta, ao meu lado um rapaz lia um livro: “O maior vendedor do mundo”. Era um livro que eu, que tanto gosto de ler, jamais gostaria de ler. Mas ele lia, com o ônibus em movimento, não sei o que queria vender, talvez a si próprio num emprego qualquer. Estava correndo atrás, se preparando para não sei o que. Achei forte, também.
Entram duas mulheres, uma mais velha e outra nova. Dentre outros assuntos, a mais velha agradece a bondade divina pelo fato do ônibus ter parado fora do ponto para pegá-las – sem pensar em responsabilizar Deus por não terem um carro, ou por estar chovendo no momento em que estavam fora de casa. Eu logo pensei que o motorista parara por causa da chuva, e não dos desígnios celestiais. Mas ela seguiu com seu raciocínio, falou sobre o coração do motorista, em contraponto a outros, que tinham tal órgão petrificado.
E eu pensei novamente no garoto, futura estátua, de quem cobrarão coisas como se ele tivesse tido tudo, como se ele fosse um igual, quando não é, como se ele tivesse tido chances, quando não teve, como se ele fosse um culpado, quando na verdade é vítima desde já.


E, me dei conta mais uma vez, diante do garoto sem futuro, da jovem mãe, das senhoras que agradecem ao Pai Celestial por um ônibus que parou fora do ponto, pelo rapaz que tentava agradar os outros com amendoim, do rapaz que tentava ser um bom vendedor, que é para eles, e tão somente para eles, que nossas maiores ações, que nossos maiores esforços devem ser empreendidos. É por causa dessa gente, por essa tão brava gente, tão espoliada, tão sofrida, e que ainda assim consegue ser altruísta e alegre, que sou socialista. Vivo com certo conforto, não carecia pensar nisto. Mas não posso esquecer deles, do povo, esta palavra tão mal usada, dita tantas vezes com escárnio justamente por aqueles que se locupletam dele, por aqueles que sentem desprezo em estar junto a eles, que se supõem diferentes, distantes, dignos de outro país, outro ambiente, outra temperatura, até.
É por causa deste povo, sofrido e amuado, por amá-los, que, a cada dia mais convictamente, me sinto socialista. É trabalhando e ajudando este povo, que se faz a obra de Deus, é nosso dever, é nossa obrigação. Sinceramente, sendo o homem que me tornei, nem sinto opção em não ser socialista. Assim como apenas nasci homem, apenas nasci brasileiro, apenas nasci socialista. Apenas sou.
Eu não sei se minha ideologia está correta, e postulo a necessidade de se debater as antinomias da mesma. Porém, em qualquer decisão que seja tomada, de qualquer regime, de qualquer governo, ou até mesmo nas nossas decisões habituais, quando temos poder para interferir nas coisas, devemos pensar muito, muito refletidamente, no bem destes desvalidos. Porque eles precisam. E, nem mesmo eles, têm consciência do tanto que são explorados.
Para mim, pra ser sincero, é até bem fácil, pois no meio deles, sinto que estou dentre os meus.


P.S: Lá fora, debatem ajuda de mais de três trilhões de dólares (!) aos especuladores (¡coitadinhos!).
Para os que inspiraram este texto, não restam nem as migalhas.

Aforismo XXXVIII

¿Por que ver toda mudança como uma ameaça?

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Aforismo XXXVII

Um dos meios para reconhecermos quando envelhecemos, é a partir do momento em que passamos a procurar uma aliança nas mãos das belas desconhecidas que encontramos nos acasos da vida.