segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Era tão menina

Eis que me deparo com algumas fotos da atriz Soleil Moon Frye, que fez a serie "Punky, a levada da breca".
Bem, o espanto que tive talvez seja o mesmo que vocês terão. Abaixo a menininha que costumávamos assistir:




E agora o que ela se tornou:







Logo me veio a mente certa música do Lobão.
O título: "Era tão menina".

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Hipnose ofídica

Lembro-me de uma canção do Dado Villa Lobos, algo como “o que era Dostoievski virou... Sharapova”.
Paciência com a perda intelectual da comparação, há outros ganhos, também.
Oscar Wilde nos defende:

“Mas a beleza, a verdadeira beleza, acaba onde começa a expressão intelectual. O intelecto é em si uma forma de exagero e destrói a harmonia de qualquer rosto. Assim que nos sentamos a pensar, ficamos todos nariz, todos testa, ou outra coisa horrenda. Veja esses homens que triunfam em qualquer profissão intelectual. São completamente hediondos!”

A despeito da licenciosidade moral de Wilde, há de se ceder aos fatos, se Dostoievski:


E, por outro lado, Sharapova:


As cobras não têm pálpebras móveis, diferentemente dos animais que rotineiramente observamos:

Ou seja, mesmo que quisessem, não poderiam fechar os olhos. Isto faz com que sua visão seja extremamente constante, fixa, já que não piscam. Alguns animais, como as rãs, permanecem estáticos de quando da aproximação destas criaturas deveras excêntricas que são as serpentes. As rãs permanecem paradinhas porque supõem que assim não serão vistas. Não por causa de hipnose ou algo que o valha.

Porém, segundo a crença popular, os pássaros são atraídos de uma maneira irresistível, ficam paralisados ante o olhar da cobra. E irremediavelmente são devorados.
Vou assistir a um jogo de tênis e eis que lá está a diva Sharapova, cada rebatida é um grito, cada grito é uma delícia de se ouvir.
Prossigo assistindo o jogo, eu que nem me ligo muito para tênis. E para o seu olhar ofídico, só posso dizer que sou o pássaro hipnotizado.
Donde se conclui que a hipnose para caça, às vezes intencional, às vezes não, só nas Sharapovas da vida.

Mais uma da serie constatações

Para a direita como um todo, e para imprensa gorda brasileira em particular, nada melhor para encobrir uma mentira sua do que contar outra mentira por cima.
E assim indefinidamente.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Da serie constatações

Pode-se nomeá-lo Criador, Jeová, Pai Celestial, Natureza, Universo, Prazer, Acaso, Si mesmo, etc.
Fato é que todo mundo tem um Deus.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Narcisos obstados

Diferentemente de outras progenitoras, a mãe-natureza não tem nada de tola.
Se naturalmente não podemos ver nossa face, é porque esta sabia do grande risco de afogamento - em vários sentidos - das multidões de Narcisos.

Aforismo LXIII

Todo mundo tem tempo... para o que prioriza.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

terça-feira, 28 de julho de 2009

Miopia progressiva

O Brasil e o Equador são os únicos países da América do Sul em que ainda existe o alistamento militar obrigatório. Poderíamos gerar um interessante debate sobre o alistamento, e eu, de antemão, até sou favorável, desde que tivesse intenções absolutamente inversas às que possui hoje. Que os jovens fossem construir estradas, obrar, ir combater o desmatamento da Amazônia, enfim, qualquer tipo de ação que ajudasse na construção do ser humano e na evolução da sociedade, e não num lugar onde os animais podem dar vazão aos seus instintos mais sujos, onde a “hierarquia” subjuga qualquer tipo de noção de justiça, coerência e respeito, como ocorre nas forças armadas.

Como nem tudo na vida são flores, mas também não são só espinhos, de alguma coisa me serviu o alistamento.
É um caso até engraçado, já o contei a algumas pessoas. Durante a execução do alistamento, tínhamos que olhar para umas letras com um olho só. Beleza, antes de eu fechar um olho, estava vendo tranquilo. Quando tapei um dos olhos, não enxerguei mais nada. Foi um espanto para mim, eu não conseguia ver as letras que até então estavam claras. Até então eu não sabia da minha deficiência visual. O gendarme que me examinava, com uma paciência digna de Jó, e um tom de voz tão cálido e sedoso quanto uma mulher que se esguela com o marido pego no flagra, berrou:
- ¿Que letra é esta?
Eu não estava enxergando nada, só me concentrava mais, tentando compreender.
O cara berrou com mais intensidade:
- ¿Que letra é esta?
E eu, espantadíssimo, fazendo o possível pra ler, mas não conseguia. E o cara, tentando ser ouvido a quilômetros de distância:
- ¿Que letra é esta?
E eu:
- Letra D.
Sei lá que diabo de letra que era, ele estava pressionando demais, comecei a chutar. Ele:
- ¿Que letra é esta?
- S.
- ¿E esta? – sempre naquele tom carinhoso.
- M.
Ele falou pra eu tapar o outro olho. Enfim, quando mudei a vista, percebi que não tinha passado nem perto, havia errado clamorosamente todas as letras até então.
Pois bem, o alistamento como um todo foi uma experiência completamente desnecessária, excetuando por este achado.

E, depois, refletindo sobre o assunto, inferi (não careceu grande inteligência para fazê-lo) que o fato da perda da visão ocorrer de maneira progressiva, lenta, faz com que não nos apercebamos do processo de mudança. É como quando chegamos em um lugar novo, conseguimos visualizar de uma maneira muito mais fácil os equívocos ali contidos, diferente de quando já estamos acostumados, e meio que nos viciamos dos erros adquiridos ao longo do tempo.

Pois bem, escrevo este texto justamente por ter visto pessoas de quem gosto começarem um processo de “miopia progressiva” com a alma.

É uma pena, quando menos pensarem, já terão perdido completamente sua identidade, sua credibilidade, e deixarão de serem homens.
Quem os conhecer depois, já vai perceber de imediato todo o erro contido em suas atitudes, já vai chegar vendo a merda que lhe está defronte.
E quem já os conhecia como eu, não verá uma mudança drástica em suas atitudes, nada significativo do dia para a noite.
Porém, querendo ou não, sempre acontecerá um caso como o do alistamento, em que somos forçados a ver de uma maneira que comumente não enxergamos, um “divisor de águas”.
Quando este dia chegar, e ele vai chegar, os amigos ao redor se aperceberão do quanto estas pessoas mudaram. Passarão até a questionar se algum dia elas realmente foram dignas e coerentes do sentimento que nutrimos.

É um aviso.
E é uma lástima.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Aforismo derradeiro

E foi a última frase da maior carta que eu escrevi na minha vida:
“Prefiro enfrentar o mundo a enfrentar minha consciência”.

Quase um Nostradamus

E numa animada mesa, Roberta fala que Patrícia tem uma novidade para contar.
Respondo que novidade de mulher só pode ser gravidez ou casamento.

Esperávamos Patrícia contar. Como ela não apareceu (pra variar), Roberta nos informa.
Fico sabendo, então, que Patrícia está grávida.

Aforismo LX

Para o cara assumir que é gay, ele tem que ser muito macho.

Proventos e securas

Nas falas e nos escritos não prometo salvação de nenhuma ordem.
Por outro lado, também não cobro dízimo de nenhuma espécie.

Os jogos e a covardia

Jogar na mega-sena denota uma espécie de covardia para com o futuro que construímos para nossas vidas.

P.S: É claro que eu não perco um jogo vultuoso.

Aforismo LIX

Assim como pai é quem cria, irmão é quem cresce contigo.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Da série constatações

Sinceramente, creio que não passa nem um dia sem que haja um exorcismo numa das - muitas - igrejas do meu bairro.

Aforismo LVIII

Se a expressão "nunca mais" é bem triste, a expressão "para sempre" é pior ainda.

Aforismo LVII

A justiça já falha ao tardar.

Aforismo LVI

Numa situação extrema, não dizer nenhuma bobagem já é um grande avanço.

Aforismo LV

Quem se sente usado na verdade também está usando.

Aforismo LIV

Nada é monótono por si só, tudo depende do tédio contido em si mesmo; assim como não existe algo legal por si só, tudo depende da alegria contida em ti.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Racismo ao avesso

No ônibus para a rodoviária, já sem tempo para maiores obstruções, percebo que me falta a identidade.
Procuro-a insistentemente no caminho, mas não encontro. Não dá nem pra cogitar voltar em casa para buscá-la.

Chego para pegar o ônibus, crucial para que eu pudesse trabalhar no outro dia, já que era o último (23:29h) e apresento os outros documentos com foto que possuo ao motorista: crachá da empresa, do sindicato, do plano de saúde.
Ele reluta, mas acaba me deixando ingressar no ônibus.

No meio da viagem, tive a sincera impressão que se eu fosse negro e tivesse uma cara mais enfezada, eu não teria conseguido êxito.
Arrebatou-me uma vontade sincera que, se isto fosse realmente verdade, eu também tivesse sido barrado, não obstante as deletérias consequências profissionais.

Uma dúvida e uma certeza

Das muitas dúvidas que me assolam, vem uma certeza: voltaremos para de onde viemos.
Mas ainda resta saber de onde a gente veio e para onde a gente vai.

Uma verdade individual

Eu não gostaria de me ter como inimigo.

Do que não compreendo

Uma das coisas que mais me assolam em diálogos alheios é a empáfia com que muitas pessoas jactam-se de terem agido asperamente com outras, como se isto fosse sinal de firmeza, ou valentia, não sei dizer.
É comum, é constante, parece trivial.
A priori, poder-se-ia até pensar que somente os homens, na sua eterna necessidade de demonstrarem que são muito machos o fizessem. Mas não, muitas das “delicadas” mulheres também vêm se embrenhando nestes confins malditos.

Para mim, responder agressivamente aos outros é sinal claro de arrogância e imbecilidade.
Gabar-se disto, então, é um equívoco tal que sequer consigo selecionar epíteto para classificá-lo.